Sexta-feira, Novembro 06, 2009

2nd Workshop on the Impact of New Technologies on the Sustainability of the Sugarcane/Bioethanol Production Cycle.

CTBE promove segundo workshop sobre sustentabilidade



Evento que ocorrerá na próxima semana serve para apresentar e avaliar o programa do Centro na área de sustentabilidade.


O Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) promove nos dias 11 e 12 de novembro o 2nd Workshop on the Impact of New Technologies on the Sustainability of the Sugarcane/Bioethanol Production Cycle. O evento que será realizado em Campinas-SP servirá para discutir e avaliar o programa de pesquisa do Centro na área de Sustentabilidade.

O trabalho dos cientistas envolvidos neste programa consiste em mensurar os impactos sobre a sustentabilidade ambiental, econômica e social causados por novas tecnologias na área de etanol de cana-de-açúcar. Tal análise se dá em comparação com o que hoje ocorre em uma usina de açúcar e álcool padrão do setor.

Manoel Regis Lima Verde Leal, um dos coordenadores do programa de sustentabilidade do CTBE explica que o objetivo de sua equipe é levantar um enorme número de dados ligados a temas como, por exemplo, balanço energético e de emissões de gases de efeito-estufa (GEE) causados por biocombustíveis. Uma vez obtidas estas informações, elas vão alimentar modelos matemáticos que serão utilizados pelo grupo para avaliar os impactos causados pelas novas tecnologias do setor. Segundo Leal, somente a partir daí é que será possível conhecer qual inovação traz mais benefícios reais ao ser humano e ao meio-ambiente.

Para realizar este levantamento e análise de forma consistente, a equipe de pesquisa do Centro de Bioetanol de Campinas busca firmar parcerias com instituições que trabalham com o assunto sustentabilidade em biocombustíveis há anos. “Acreditamos que somente desta forma é possível obter o volume de informações necessárias para a realização do nosso trabalho em tempo de iniciar as avaliações de impactos causados pelas novas tecnologias até o final do próximo ano”, afirma Leal.

Em maio deste ano o CTBE realizou um Workshop exploratório sobre o tema para definir quais seriam as principais linhas de pesquisa do seu programa de sustentabilidade. Agora em novembro, o Centro recém lançado pelo Ministério da Ciência e da Tecnologia (MCT) vai apresentar sua forma de trabalho em cada uma das cinco frentes de estudo ligadas à sustentabilidade. Tais áreas são: balanço energético e de emissões de GEE, estoque de carbono no solo e emissões de óxido nítrico, mudanças no uso da terra, impactos sócio-econômicos e uso de recursos hídricos. Além de debater a proposta de estudo do CTBE, o workshop contará com palestras proferidas por especialistas (brasileiros e internacionais) em cada um destes assuntos.

As inscrições para o Workshop do CTBE são gratuitas e podem ser realizadas até o dia 9 de novembro de 2009, pelo site: www.bioetanol.org.br/workshop5.


Serviço:
2nd Workshop on the Impact of New Technologies on the Sustainability of the Sugarcane/Bioethanol Production Cycle
Data: 11 e 12 de novembro de 2009.
Local: Auditório do Anel de Luz Síncrotron (LNLS).
Rua Giuseppe Máximo Scolfaro, 10.000, Pólo II de Alta Tecnologia, Campinas-SP.
Site do evento: www.bioetanol.org.br/workshop5.
Informações: Luiz Paulo Juttel - (19) 3518-3119

Chuva nos EUA abre espaço para o etanol brasileiro.




Uma queda na produção americana de milho, provocada pelo excesso de chuvas nas regiões produtoras do meio-oeste dos Estados Unidos, poderá abrir a oportunidade de novas exportações de etanol anidro brasileiro na próxima safra, segundo o diretor técnico da União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica), Antonio Pádua Rodrigues.

Segundo ele, no entanto, as exportações brasileiras para os EUA se tornarão possíveis apenas se houver uma janela de oportunidade criada pela alta do preço do milho - e do etanol de milho -, enquanto o etanol de cana brasileiro estiver com preço mais baixo. Pádua deixou claro, contudo, que, no momento, não existe possibilidade de exportação do etanol brasileiro, diante da oferta limitada do produto, o que deixa os preços internos bastante elevados. "Com as atuais condições, exportar etanol é impossível", disse.

O empresário e conselheiro da Unica, Maurílio Biagi Filho, também avalia que, com o atual preço do etanol - de R$ 1,12 o litro nas usinas de São Paulo -, é impossível exportar o combustível. "Além disso, para exportar é preciso primeiro ter o combustível disponível. Se tiver, é preciso ainda achar para quem será exportado e em que condições´´´´, afirmou.

O presidente da São Martinho, Fábio Venturelli, acredita que o setor vai cuidar primeiramente no mercado interno. ´´´´O fato de uma janela de exportação ser criada não significa que efetivamente iremos vender etanol no exterior", disse.

De qualquer forma, no longo prazo, segundo a analista da analista da trading francesa Sucres et Denrees, Karim Salamon, os EUA precisarão importar grandes volumes de etanol do Brasil para atender às metas de utilização de biocombustíveis avançados impostas pelo Padrão de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFS, na sigla em inglês). Segundo ela, os EUA dependerão de forma expressiva do etanol brasileiro para cumprir os mandatos estabelecidos, de 757 milhões de litros em 2010, atingindo 15,1 bilhões de litros em 2022. Isso porque o etanol feito de milho, padrão nos EUA, não atende à meta de redução de pelo menos 40% de redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa.



Fonte: O Estado de S. Paulo

ADM já planeja 3ª usina de etanol no país.




A multinacional americana ADM estuda expandir a produção de etanol à base de cana no Brasil. A companhia, que inaugurou em outubro sua primeira usina no país em parceria com o Grupo Cabrera, planeja construir sua terceira unidade.

No ano passado, a múlti anunciou sua estreia no mercado brasileiro de etanol em sociedade com o ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, em duas unidades produtoras. A usina de Limeira do Oeste, instalada na cidade que leva o mesmo nome em Minas Gerais, entrou em operação em outubro. A unidade de Jataí, em Goiás, deverá iniciar os trabalhos em 2012. Outra usina deverá ser construída no mesmo Estado, apurou o Valor.

Uma das maiores produtoras mundiais de etanol à base de milho do mundo, a ADM planeja ampliar sua produção de álcool a partir da cana-de-açúcar.

As duas primeiras unidades da companhia foram projetadas para processar 3 milhões de toneladas de cana cada uma. A usina mineira deverá processar nesta temporada 2009/10 cerca de 500 mil toneladas da matéria-prima. A unidade de Jataí está ainda na fase de expansão agrícola, com plantio de cana.

O Valor apurou que a ADM estuda construir sua terceira unidade em Itarumã, em Goiás. A empresa já tinha feito uma reserva de área para cana naquela região, mas ainda trava disputa com outro grupo sucroalcooleiro pela mesma propriedade .

A entrada da ADM no mercado de etanol no Brasil ocorreu de maneira discreta. Apontada como grande consolidadora neste segmento, a empresa preferiu apostar em projetos "greenfield" (construção a partir do zero) de médio porte para entender o mercado brasileiro. Fontes ouvidas pelo Valor afirmaram que a múlti quer consolidar seus recentes investimentos, antes de dar passos maiores no setor. Procurados, a ADM e o grupo Cabrera não retornaram as ligações.

O avanço das multinacionais no mercado sucroalcooleiro tem ocorrido nos últimos quatro anos no país. Empresas como Bunge e Noble, por exemplo, conquistaram espaço no setor a partir de 2007, com a aquisição de unidades em operação em situação financeira delicada.

A expectativa é de que a crise pela qual as usinas passam reforce o movimento de concentração no setor. O grupo francês Louis Dreyfus reforçou sua posição no país com a criação da LDC-SEV, resultado da incorporação das usinas da Santelisa Vale.

O setor tem cerca de 50 usinas instaladas, sobretudo, no Centro-Sul do país à venda. Grandes grupos, como Equipav e Moema, ambos em São Paulo, estão em pleno processo de negociação de seus ativos. Estas unidades estão sendo cobiçadas por grandes multinacionais, que pretendem expandir seus negócios no país.


Fonte: Valor Econômico

Etanol - benefícios, riscos e desafios.




Desde março de 2008 o consumo de álcool combustível, o etanol, supera o de gasolina. Por isso se pode dizer que o Brasil é o único país do mundo onde o combustível "alternativo" é o fóssil e o "principal" é renovável. Isso só foi possível graças à sábia decisão adotada depois do choque de 1975, quando lançamos o mais arrojado programa de substituição de petróleo da época. Hoje misturamos 25% de etanol à gasolina, temos uma frota de carros flex que já alcança 90% dos veículos novos e 37% da frota total e contamos com uma ampla distribuição de etanol puro em todos os postos de combustível.

Estudos recentes trazem dados impressionantes sobre os impactos dessa indústria. Considerando somente a produção do etanol, são 465 mil empregos diretos criados no País, seis vezes mais do que a indústria do petróleo. O etanol está presente em 1.042 municípios, ante 176 no caso do petróleo, o que se traduz em maior distribuição de renda e interiorização do desenvolvimento. Uma simulação feita por professores da USP mostra que 15% de substituição de gasolina por etanol em nível nacional gera 118 mil empregos líquidos, com uma massa salarial adicional de R$ 236 milhões anuais.

Na área ambiental, desde 1975 o uso de etanol em substituição à gasolina permitiu uma redução de emissões de 600 milhões de toneladas de CO2, o equivalente ao plantio de 2 bilhões de árvores. Especialistas afirmam que para cada litro de etanol consumido US$ 0,20 deixam de ser gastos na mitigação de gases causadores do aquecimento global. Um estudo realizado pelo Laboratório de Poluição da Faculdade de Medicina da USP estima que se todos os carros da Região Metropolitana de São Paulo fossem movidos exclusivamente a gasolina haveria um incremento de 400 mortes e mais de 25 mil internações hospitalares por ano, com um custo anual de R$ 140 milhões para o sistema de saúde.

Uma das razões do bom desempenho dessa indústria foi a liberalização do mercado na década de 1990. A extinção dos controles de produção e preços do antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) propiciou importantes ganhos de produtividade e reduções reais nos preços desses dois produtos. O petróleo, ao contrário, além de altamente poluente, torna-se cada vez mais escasso no mundo e, portanto, mais caro.

Uma das consequências complicadas da desregulamentação, todavia, foi o expressivo aumento da volatilidade de preços, tanto em termos sazonais (safra e entressafra) como cíclicos (ao longo dos anos). Ao contrário da gasolina e do diesel, que têm seus preços artificialmente fixados pelo monopólio de facto da Petrobrás, os preços do açúcar, do etanol e da cana sofrem grandes variações de acordo com a lei da oferta e da procura. Nesse aspecto o etanol brasileiro é semelhante ao petróleo no mercado mundial, já que ambos flutuam ao sabor das leis de mercado. Nos últimos dois anos, por exemplo, o que se viu no Brasil foi um ciclo de preços extremamente deprimidos do etanol em razão do forte aumento da oferta decorrente de elevados investimentos em expansão e novas usinas. Se, por um lado, os baixos preços derrubaram a rentabilidade do setor, por outro, eles favoreceram, juntamente com o crescimento da frota flex, um acentuado aumento de consumo, entre 2005 e 2008, de impressionantes 185% de etanol hidratado, ante apenas 7% de gasolina.

Em março deste ano, os empresários do setor sucroenergético reuniram-se repetidas vezes com o governo para discutir formas de estocar o produto, diante da safra recorde que se iniciava e da derrubada de preços causada pela crise financeira global, que abalroou as usinas. Com o balanço da maioria das empresas comprometido pela crise, o programa de estocagem não teve o resultado esperado. Sete meses depois, na mesma safra, chuvas excessivas prejudicam a colheita da cana e o governo fala em reduzir a mistura de etanol na gasolina de 25% para 20%. Leia-se: uma mudança radical de cenários e políticas dentro da mesma safra!

Acontece que o setor sucroenergético tem reagido muito bem aos estímulos e demandas do mercado, aumentando rapidamente a produção e a sua eficiência econômica e operacional para atender à crescente demanda. Salvo a ocorrência de novos volumes absurdos de chuvas até dezembro, não há motivo para alterar o nível de mistura do etanol na gasolina neste momento. Já se foi o tempo do carro movido unicamente a álcool e, portanto, mais vulnerável a problemas de desabastecimento. Hoje os carros são "flexíveis" e o etanol compete com a gasolina pela preferência do consumidor em cada bomba de combustível. Ou seja, o ajuste de mercado ocorrerá naturalmente nos postos, pelas mãos soberanas do consumidor, que hoje pode decidir em função dos preços relativos e dos valores intrínsecos de cada combustível em termos de potência, consumo, clima, saúde pública, etc.

Sabemos, porém, que tanto os consumidores como os produtores desejariam ver menos oscilações nos preços do etanol. Acontece que o etanol é uma commodity agrícola, altamente influenciada pelo clima e produzida durante sete meses para ser vendida o ano todo. Ao contrário do mercado de açúcar, a rigidez das regras de comercialização de etanol dificulta a presença de agentes de comercialização, gera pouca liquidez e enorme volatilidade num mercado primitivo que só funciona no spot diário de preços. É por isso que o setor tem insistido na necessidade de novos instrumentos de comercialização física e futura que gerem maior liquidez e gestão de risco, com a entrada de novos agentes. É preciso também desenvolver políticas tributárias que reconheçam as externalidades socioambientais do etanol para a sociedade, lembrando que ele representa uma das grandes inovações criadas em terras brasileiras.


Marcos Sawaya Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica)
Fonte: O Estado de S. Paulo

Biocombustíveis avançam na matriz.




Poucos setores produtivos no Brasil experimentam uma dinâmica tão expressiva nos negócios como a cadeia dos biocombustíveis, liderada pela produção de etanol. Especialistas ouvidos pelo Valor projetam, informalmente, investimentos de US$ 30 bilhões nas usinas e infraestrutura do setor para o período 2009-12.

Apenas a Petrobras Biocombustível, subsidiária da petrolífera brasileira, deverá aportar US$ 3,4 bilhões, de 2009 a 2013, em produção e infraestrutura de transporte de biocombustíveis, incluindo aí, além da produção de etanol, o biodiesel, elaborado a partir da mistura de óleos vegetais ao diesel.

"O programa é um sucesso e, mesmo com a crise e os investimentos para exploração do pré-sal não reduzimos um centavo do nosso plano de expansão. Pelo contrário, elevamos nossos investimentos", afirma o presidente da empresa, Miguel Rossetto. "No curto prazo, enxergamos um crescimento muito forte no consumo de etanol no mercado doméstico e oportunidades interessantes de inserção do combustível no mercado global", afirma Eduardo Leão de Sousa, diretor-executivo da União da Agroindústria Canavieira (Unica), associação que congrega usinas responsáveis por mais de 50% da produção nacional de cana-de-açúcar e 60% da fabricação de etanol.

O estudo "Mapeamento e Quantificação do Setor Sucroenergético", apoiado pela Unica e desenvolvido pelos pesquisadores Marcos Fava Neves, Vinicius Gustavo Trombin e Matheus Consoli, identifica todos os elos da cadeia energética do setor e conclui que o faturamento da área corresponde a US$ 28,15 bilhões, equivalente a quase 2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, enquanto a movimentação financeira da cadeia está em US$ 86,8 bilhões.

Conforme dados preliminares do "Balanço Energético Nacional 2009", produzido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, produtos da cana-de-açúcar (etanol, bagaço, caldo e melaço para fins energéticos) responderam por 16,4% da matriz energética brasileira em 2008, se tornando a segunda principal fonte de energia nacional, atrás apenas do petróleo e derivados. Sozinho, o etanol respondeu por 4,8% do consumo energético brasileiro, no ano passado.

"Os veículos flex representam 93% das vendas de automóveis novos no país e, entre os consumidores que dispõem dessa tecnologia, 75% optam pelo abastecimento com etanol. Nossa projeção é de que, em 2017, o Brasil fabricará 3 milhões de carros/ano e a produção de etanol atingirá 64 bilhões de litros/ano, 150% superior ao patamar atual, sendo 8 bilhões de litros exportados", conta o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.

Estudo recente produzido pelo Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP), aponta que, até 2016, mantida a cotação do petróleo no mercado internacional entre US$ 50 e US$ 60 por barril, o etanol será o combustível de 80% da frota brasileira, que praticamente terá expurgado os carros movidos a gasolina. "Isso apenas como resultado da opção econômica do mercado pelo combustível mais competitivo", aponta o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energia da USP e ex-diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer.

Embora viva uma dinâmica de novos investimentos, o setor já começa a sentir a necessidade de ajustes. Um deles é a consolidação na cadeia sucroalcooleira, com a formação de conglomerados mais sólidos, com maior poder de mercado e maior capacidade financeira de investimento. "O setor ainda é extremamente pulverizado no Brasil. Existem mais de 410 unidades industriais, controladas por 200 grupos, o que é bastante atípico comparado com outras commodities", avalia Sousa, da Unica.

O representante setorial defende a criação de uma lei do etanol. A estrutura regulatória atual, na opinião de Sousa, é repleta de indefinições e distorções mercadológicas. Um exemplo é a obrigatoriedade de os produtores comercializarem os combustíveis para os distribuidores, impedindo o fornecimento direto para a rede de venda ao consumidor. "Por esse sistema, o produtor fica com o ônus de carregar os estoques ao longo do ano, fora do período de produção, favorecendo o oligopólio da distribuição",diz.

Um dos principais investidores no mercado de biocombustíveis do Brasil, a Petrobras Biocombustível prepara seu ingresso na produção do etanol. Miguel Rossetto afirma que a subsidiária avalia tanto promover investimentos em novos projetos (greenfield), como adquirir operações já existentes, ainda em 2009, sempre em parceria, e como sócia minoritária, voltada prioritariamente para o mercado externo.

Na visão dele, o conjunto de iniciativas no campo dos biocombustíveis permitirá ao Brasil realizar uma "ótima transição" para a queda mundial do consumo de petróleo, no futuro. "O Brasil conta com uma posição extraordinária do ponto de vista energético. Saímos bem do século 20, com descobertas de imensas reservas petrolíferas, e entramos reforçados na agenda do século XXI, com forte ênfase em fontes renováveis de energia", analisa.

Além da exportação potencial do petróleo a ser extraído do pré-sal, os agentes do setor de biocombustíveis esperam que haja um aumento de demanda por parte dos países desenvolvidos, que planejam contar com maior participação de fontes renováveis em suas matrizes. Só o programa americano prevê, até 2022, o consumo de 135 bilhões de litros de etanol por ano. A União Europeia definiu outro programa até 2020, que representa mais 15 bilhões de litros por ano", diz Sousa, da Unica. "Só aí já reside uma enorme oportunidade para o Brasil exportar o biocombustíveis", avalia.



Fonte: Valor Econômico

Etanol de cana-de-açúcar: Nós sabemos e o Al Gore, também.



O ex-vice-presidente dos Estados Unidos da América, Sr. Al Gore, durante entrevista concedida ao comediante Jon Stewart do programa televisivo Comedy Central’s Daily Show, para promover seu último livro “Our Choice”, voltou a argumentar que o etanol a base de milho é pior para o meio ambiente e para o bolso do contribuinte americano.

Argumentou que existem novas e melhores formas de produzir etanol, e que os Estados Unidos poderiam adotá-las no esforço para combater as alterações climáticas.

Para o ex-vice-presidente, o etanol de cana-de-açúcar é mais eficiente, tanto em bases econômicas e de balanço energético como ambientais, e cita o Brasil como referência de excelência.

Por Marcelo Acuña Coelho

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Analyst: U.S. will need Brazil ethanol to meet RFS biofuels goal.


The US will need to import large volumes of ethanol from Brazil to meet advanced biofuel targets set under the US Renewable Fuels Standard (RFS), Karim Salamon, head of research and statistics at the French trading firm Sucres et Denrees, said at F.O. Licht’s World Ethanol 2009 conference in Paris. This week.

The RFS defines advanced biofuels as renewable fuel other than corn ethanol that achieves at aleast 40% reduction in lifecycle greenhouse gas (GHG) emissions requirement.

Sugarcane ethanol would qualify as an advanced biofuel based on preliminary estimates by the Environmental Protection agency (EPA). And the Brazilian ethanol group (UNICA) claims sugarcane ethanol can reduce GHG emissions by 80% compared with gasoline even if including the controversial indirect land use change (ILUC).

Under the RFS, the US must blend 600m gal (2.27bn litres) of advanced biofuels in 2009. That target will jump to 950m gal next year and 5.5bn gal by 2015.

The US may have to rely heavily on ethanol from Brazil to meet those mandates, said Karim Salamon. The analyst said the question now is whether Brazil will be able to increase its ethanol production to meet an expected jump in global demand in the coming years.

Source: The Sugarcane Blog

Petrobras iniciará testes com biocombustível no Chile.





A Petrobras iniciará em 2010 testes para determinar o potencial do biodiesel no país sul-americano, anunciou Vilson Reichemback da Silva, gerente geral da Petrobras Chile. As provas serão realizadas em veículos de empresas mineradoras.

Já utilizado em larga escala no Brasil, o biodiesel é um combustível obtido com a mistura de óleo vegetal (retirado de diversas variedades de oleaginosas) e diesel.

As provas da Petrobras no Chile incluirão estudos operacionais. Para isso, será necessário importar um volume mínimo do líquido produzido pela empresa em território brasileiro.

Em entrevista ao Diario Financiero, Reichemback disse que os testes fazem parte do acordo de cooperação que a petrolífera assinou com a Comissão Nacional de Energia (CNE) e com a Empresa Nacional del Petróleo (ENAP) para desenvolver o combustível a nível local.

A Petrobras também cogita levar ao Chile o etanol, que é pr! oduzido a partir de cana-de-açúcar e misturado à gasolina.

A expansão da estatal brasileira no país começou em agosto de 2008, quando comprou ativos da Exxon de distribuição de combustíveis em território chileno. Atualmente, a empresa busca colocar a marca Petrobras nos postos, o que está previsto para acontecer em até dois anos.

Fonte: DCI

Petrobras iniciará testes com biocombustível no Chile.





A Petrobras iniciará em 2010 testes para determinar o potencial do biodiesel no país sul-americano, anunciou Vilson Reichemback da Silva, gerente geral da Petrobras Chile. As provas serão realizadas em veículos de empresas mineradoras.

Já utilizado em larga escala no Brasil, o biodiesel é um combustível obtido com a mistura de óleo vegetal (retirado de diversas variedades de oleaginosas) e diesel.

As provas da Petrobras no Chile incluirão estudos operacionais. Para isso, será necessário importar um volume mínimo do líquido produzido pela empresa em território brasileiro.

Em entrevista ao Diario Financiero, Reichemback disse que os testes fazem parte do acordo de cooperação que a petrolífera assinou com a Comissão Nacional de Energia (CNE) e com a Empresa Nacional del Petróleo (ENAP) para desenvolver o combustível a nível local.

A Petrobras também cogita levar ao Chile o etanol, que é pr! oduzido a partir de cana-de-açúcar e misturado à gasolina.

A expansão da estatal brasileira no país começou em agosto de 2008, quando comprou ativos da Exxon de distribuição de combustíveis em território chileno. Atualmente, a empresa busca colocar a marca Petrobras nos postos, o que está previsto para acontecer em até dois anos.

Fonte: DCI

Amyris Biotechnologies faz testes com diesel de cana.





O grupo americano Amyris Biotechnologies, com unidade em Campinas, SP, produz diesel a partir da cana-de-açúcar em escala pré-industrial. Pesquisas indicam que esse combustível renovável alcançará escala comercial de forma mais rápida e econômica do que os biocombustíveis já disponíveis no mercado, além de reduzir em 80% as emissões em relação ao óleo diesel convencional, abrindo novas expectativas para o setor produtivo e industrial brasileiro.

O biocombustível já está sendo produzido no sudeste dos Estados Unidos e tem previsão para ser vendido como combustível para jatos já em 2010. Cientistas da Amyris criaram um processo dentro da levedura capaz de transformar o açúcar da cana em milhares de moléculas para fabricar diesel e combustível para jatos.

No Brasil, a fábrica paulista ligada ao grupo americano já começou a produzir o diesel renovável numa escala pré-industrial. O próximo passo é a produção do etanol em escala industrial depois que a companhia comprar usinas no País, o que deve ocorrer até janeiro de 2010.

"Será mais uma alternativa de produzir em larga escala outro derivado da cana-de-açúcar. Com mais essa possibilidade teremos outra opção interessante que impulsionará o cultivo da cana-de-açúcar”, disse o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan), Raimundo Nonato.

O diesel de cana-de-açúcar é biologicamente formulado por meio da fermentação para criação de hidrocarbonetos, a mesma estrutura molecular encontrada em combustíveis tradicionais e de petróleo. Tem características idênticas ao diesel fóssil, mas com teor zero de enxofre. A emissão de enxofre é um dos problemas existentes no diesel feito a partir do petróleo.


Fonte: ProCana.com

Governo investe no combate à ferrugem alaranjada na cana-de-açúcar.




A ferrugem alaranjada é uma das pragas que mais ameaçam a cultura da cana-de-açúcar, causando severos danos econômicos aos produtores e ao Brasil, que já se prepara para combater e controlar a doença. O tema foi discutido no workshop Defesa Agropecuária no Contexto da Produção de Cana-de-açúcar, nesta quarta-feira (4), no auditório da sobreloja do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, o Mapa já investiu aproximadamente R$ 1 milhão em projetos de controle de pragas na cana-de-açúcar, inclusive a ferrugem alaranjada. No total, R$ 120 milhões estão sendo aplicados em estudos e trabalhos de defesa agropecuária, nas áreas animal e vegetal, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). "Além de investir na fiscalização, normatização e certificação, o nosso objetivo é promover a aproximação com o setor sucroalcooleiro, para verificar as reais necessidades do setor de cana-de-açúcar, seus produtos e subprodutos, historicamente reconhecidos por sua importância social e econômica", finaliza o secretário.

A ferrugem ainda não foi detectada em canaviais brasileiros, mas já causou grandes danos às plantações na Nicarágua, Estados Unidos e Austrália. Nos anos 90, mais de 45% da produção australiana de cana era ocupada com uma variedade suscetível à praga, resultando em grandes prejuízos ao setor sucroalcooleiro naquele país. Segundo estudos técnicos, uma medida estratégica para conter a ferrugem é a diversificação do plantio, com limite máximo de 15% de área por variedade plantada nos canaviais. Assim, as perdas ficarão restritas às áreas das plantas que se mostrarem suscetíveis à ferrugem alaranjada, variável em função do grau de resistência.



Fonte: Ministério da Agricultura,Pecuária e Abastecimento

Desafios para o etanol é tema da IETHA durante Flame Latin America.




A IETHA - International Ethanol Trade Association - revela os desafios e oportunidades que o setor sucroalcooleiro ainda tem pela frente durante debate no Flame Latin America 2009, que acontece nos dias 10 a 12 de novembro, no Rio de Janeiro.

Na apresentação da palestra "Explorando os benefícios e os desafios de um novo combustível renovável: etanol", Joseph Sherman, diretor-executivo da IETHA, pontuará as dificuldades da consolidação do comércio internacional de etanol enquanto o produto não conquista o status de commodity agrícola.

O fato do etanol ter ganho grande repercussão no mundo todo quando se falavam de aquecimento global, impediu (ou pelo menos, impactou prematuramente) o desenvolvimento natural deste setor, sobretudo na criação de mecanismos necessários para transformá-lo em uma "commodity".

No entanto, o comércio internacional de etanol combustível ainda é pequeno, se comparado com outras commodities (não passando de cerca de cinco milhões de metros cúbicos por ano, menos de 10% do que é produzido pelo Brasil e EUA). "O problema é que, provavelmente, esses números não devam aumentar aceleradamente, como se previam, até que se tenha uma infraestrutura estabelecida, tanto no lado exportador como nos países importadores. Essa tem sido uma questão amplamente debatida pelo Comitê de Logística da IETHA. Estamos falando das questões portuárias, armazenagem, escoamento por dutos, legislações de concessões, investimentos, além disso, claro, da criação de um mecanismo de proteção de riscos", completa Sherman.

Segundo ele, o etanol tem seu lugar reservado na esfera mundial da bioenergia, porém precisa de tempo para se estabelecer forma homogênea e consistente, considerando todos os aspectos relacionados no escoamento do etanol comercializado internacionalmente.

A IETHA - International Ethanol Trade Association é uma organização global, formada por 42 empresas nacionais e internacionais que estão presentes nas várias áreas de comercialização de etanol combustível e tem a missão de estabelecer critérios para apoiar a transformação do etanol em uma commodity agrícola.



Fonte: Portal Nacional de Seguros

BP “verde” quer crescer no Brasil.



A britânica BP, dentro de sua estratégia de crescimento até 2013, no segmento de biocombustíveis, pretende instalar e produzir em território brasileiro e em grande escala o etanol de segunda geração ou celulósico.

No entanto, o ponto de partida dessa estratégia encontra-se na fronteira norte dos Estados Unidos da América; local onde a BP instalará no próximo ano a sua primeira planta industrial para produção do etanol celulósico. Dentre as inúmeras razões para a escolha do citado local: os investidores, os centros de pesquisa e a biomassa proveniente das reservas florestais.

Idêntica tecnologia será transferida para suas unidades (BP) a serem posteriormente edificadas no Brasil.

A Petrobras, equivalente a BP, já opera uma unidade de pesquisa e uma planta piloto (Piracicaba – SP) para produção de etanol celulósico, extraído do bagaço de cana-de-açúcar.

Por Marcelo Acuña Coelho

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Los Angeles Times investiga.




Os produtores brasileiros (e o Presidente Lula!!) de etanol afirmam que o combustível à base de cana-de-açúcar é mais ecológico do que o etanol de milho, como alternativa para abastecer os veículos automotores.

O Los Angeles Times, em matéria veiculada nesta data, investiga a tarifa incidente sobre o etanol brasileiro, o impacto dos biocombustíveis sobre o meio-ambiente, e a possibilidade dos carros elétricos substituírem os propelidos a gasolina ou flexfuel.

Atualmente, os Estados Unidos “barram” o etanol brasileiro, tarjando-o com uma tarifação de 54 cents de dólar por galão, objetivando assim incentivar a produção interna. Isso tudo apesar de ambientalistas, políticos e personalidade americanas argumentarem que o etanol de cana é superior ao de milho.

Os carros elétricos produzidos nos Estados Unidos são caros em razão das baterias empregadas, e a energia elétrica necessárias para abastecê-las provém de termoelétricas movidas as combustíveis fósseis.

“No final do dia, os americanos podem não obter a redução das emissões de carbono esperada".
Por Marcelo Acuña Coelho

Grupo Ypioca ups ethanol production.



Following the opening of its factory in October this year, Brazilian company Grupo Ypioca is set to produce ethanol from sugarcane.

The Jaguaruana factory has installed capacity to produce 50 million litres of ethanol a year, or 90 million litres of the sugarcane derivative cachaca, making it the world's largest manufacturing facility of cachaca.

‘There is no industry more modern than this in today's market, allowing for the production of every product derived from sugarcane,’ Everardo Telles, president of the group, says. The derivatives include: cachaca, ethanol, neutral alcohol, and anhydrous alcohol.

With investments of approximately $139 million (€94.1 million) the new unit should increase the company's annual revenue by 20%, and will be responsible for the creation of 360 new jobs in addition to the current 3,200.

‘We strongly believe in the growth of this market in the medium and long terms, and we are applying all of our expertise in investments to accompany this segment,’ Telles adds.

Source: Biofuels International

Grupo Alcotra planeja fazer aporte em usinas de álcool.




O grupo belga Alcotra , uma das maiores tradings globais de etanol, deverá definir nas próximas semanas seus alvos de investimentos no setor sucroalcooleiro brasileiro. A companhia, que nos últimos meses analisou cerca de 40 usinas, deverá selecionar unidades para fazer negócio.

O Valor apurou que usinas da região do Triângulo Mineiro estão no radar da companhia. Fontes do setor afirmam que companhia iniciou conversações com a usina Uberaba, que tem entre seus acionistas a indústria Caldema e a família Balbo, que controla as usinas paulistas Santo Antonio e São Francisco. Outro alvo seria a usina Total, que pertence a investidores da área de concessões de rodovias.

As mesmas fontes afirmam que a Alcotra tem interesse de comprar uma participação na Uberaba, que pode chegar a 60%. Procurados, os acionistas da Uberaba negam, por meio de sua assessoria, negociações neste sentido.

A Total possui uma usina, instalada em Bambuí (MG), com capacidade para moer 2,2 milhões de toneladas de cana. A usina recebeu investimentos da ordem de R$ 205 milhões em sua primeira fase de investimentos. Procurada, a Total Agroindústria informou que contratou a consultoria FG Agro, de Ribeirão Preto (SP), para que a empresa estruture fundos que viabilizem uma segunda etapa de investimento da usina. A moagem da primeira safra começou em setembro deste ano.

De acordo com Matheus Hyashida, sócio da FG Agro, a Total é uma empresa que vem se financiando com recursos de longo prazo. Ele confirmou que para acelerar esta segunda etapa de investimento consideram a possibilidade de alienar uma participação até majoritária no capital da companhia ou uma fusão com um grupo maior através de troca de ações. Sobre a negociação com a Alcotra, Hyashida não confirma a negociação, mas cita que algumas negociações estão em curso e que todas elas estão protegidas por acordo de confidencialidade.

O grupo Alcotra confirma que tem interesse em expandir sua participação no setor sucroalcooleiro. No entanto, não dá detalhes sobre as negociações que estão em andamento.

A companhia belga ainda aguarda aporte de seus principais acionistas para bater o martelo sobre os investimento no país. Com faturamento global de cerca de US$ 1 bilhão, o grupo tem entre seus principais acionistas a companhia francesa EDF Energies Nouvelles e a trading Trafigura . A trading é presidida pelo belga Philippe Meeus, o acionista majoritário do grupo.

A trading negocia aproximadamente 2 bilhões de litros de álcool por ano, dos quais 1 bilhão de litros do Brasil. As exportações de álcool da Alcotra a partir do Brasil respondem por cerca de 25% dos embarques do país. Presente no país há cerca de 20 anos, a Alcotra quer se tornar uma grande usina. Fora do Brasil, o grupo já tem experiência na área. Na Bélgica, a companhia produz álcool a partir do trigo.

O grupo tem participação de 49% na usina Tabu, na Paraíba. Essa unidade produz álcool para fins industriais. No início deste ano, o grupo achou que daria seu grande passo ao negociar a compra da Triálcool, usina instalada no Triângulo Mineiro, controlada pelo grupo João Lyra, do ex-senador João Lyra, e que no dia 20 de novembro do ano passado entrou com pedido de recuperação judicial. No entanto, o negócio não foi levado adiante porque um dos credores da usina barrou a negociação.

Parte dos investimentos da Alcotra no Brasil ficou condicionada aos rumos que a negociação envolvendo a Triálcool levariam. No entanto, a trading decidiu manter seus aportes e aguarda aval de seus acionistas para prosseguir a expansão no país.



Fonte: Valor Econômico

Terça-feira, Novembro 03, 2009

O ex-usineiro.



Ao invadir novos mercados, o empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, cada vez mais se afasta de seu tradicional perfil de grande produtor de açúcar e álcool


No dia 16 de outubro, os 180 principais executivos da Cosan, maior processadora de açúcar e álcool do país, foram reunidos para uma videoconferência transmitida da sede, em São Paulo. Na condução da reunião estava Rubens Ometto, o controlador da empresa. Os trabalhos começaram com um anúncio simbólico do que viria pela frente. A partir daquele momento, disse Ometto, "a meninada tomaria conta do dia a dia". O cargo de presidente, ocupado por ele por mais de 20 anos, passaria para Marcos Lutz, até então principal executivo da área de logística da Cosan. Ometto se dedicaria a liderar o conselho de administração.

O rito de passagem do cargo, porém, era o prenúncio das grandes mudanças que seriam anunciadas na sequência. A Cosan que Lutz assumia naquele momento passaria a ser um grupo formado por cinco grandes unidades dedicadas a negócios que vão de bens de consumo de massa à logística, de produção de energias renováveis à distribuição de combustíveis. Ao final da videoconferência, Ometto havia tornado pública a maior guinada estratégica já feita pela Cosan. A companhia fundada pelo imigrante italiano Pedro Ometto, em 1936, na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, deixava de ser a usina de cana-de-açúcar que se transformara na maior produtora global de etanol para emergir como um grande conglomerado nacional.

Com esse movimento, Rubens Ometto quer se distanciar da imagem de maior usineiro do mundo - uma imagem real, mas talvez limitada para suas ambições e para a dimensão alcançada pela Cosan nos últimos anos. Em 2008, apenas cerca de um quarto dos 14 bilhões de reais de seu faturamento veio do negócio de açúcar e álcool. "Começo aqui uma nova fase", disse Ometto a EXAME, durante sua primeira entrevista a respeito da reestruturação. "Vou me dedicar a criar novos negócios e vê-los crescer."

Aos 59 anos de idade, Ometto vai continuar a dar expediente das 8 horas da manhã às 19 horas na sede da Cosan, instalada em um prédio comercial na zona sul de São Paulo. Vai manter a mesma sala, no 6o andar. Estará presente, todas as segundas pela manhã, na reunião de diretoria. Também não deixará de telefonar a qualquer momento - "no máximo até as 11 horas da noite" - para discutir questões urgentes com seus executivos. Entre as poucas alterações que pretende fazer em seu dia a dia está a retomada de um antigo hábito: tirar um dia por semana para visitar pessoalmente alguma das instalações do grupo. "Estava muito trancado no escritório. Agora, quero aproveitar para visitar os negócios da Cosan e conhecer novas ideias em energia renovável fora do Brasil." Em suma, Rubens Ometto continuará a ser Rubens Ometto. Mas a Cosan terá de mudar.

A virada estratégica da companhia começou há pouco mais de dois anos. Na época, a Cosan já não era mais apenas uma processadora de cana. Além de fabricar açúcar e álcool, a empresa investia em terras agrícolas e terminais no porto de Santos. Mas precisava de recursos para apoiar a expansão. Num movimento controverso, Ometto decidiu anunciar aos investidores com ações da companhia na Bovespa que estava criando uma nova empresa, com sede nas Bermudas, para fazer uma oferta inicial de ações em Nova York. A decisão levantou dúvidas sobre a governança, mas permitiu à Cosan, obter 1,2 bilhão de dólares na bolsa americana - sem diluir demais o controle, o que poderia deixá-la vulnerável a uma oferta hostil. Assim, a companhia teve fôlego para dar o maior passo de sua história: comprar os 1 500 postos de combustível da americana Esso no Brasil, por 954 milhões de dólares, em abril do ano passado.

O movimento fez com que, de um dia para o outro, o faturamento mais do que triplicasse. Com os postos, a Cosan. incorporou 85 executivos da Exxon Mobil, maior empresa de capital aberto do mundo e antiga controladora da Esso no país. A chegada desse time - e de outros 100 executivos contratados em empresas como TIM, Vale e CSN - deu um novo perfil à administração. "Decidi sair quando tive a certeza de ter pessoas preparadas para assumir todos os postos importantes", diz Ometto.

A lógica por trás da expansão está, em primeiro lugar, na busca por um fluxo de caixa estável, algo raro no setor sucroalcooleiro - no primeiro semestre, 11 empresas desse setor estavam em recuperação judicial. No primeiro trimestre deste ano (que encerrou a safra 2008/2009), por exemplo, a unidade de açúcar e álcool da Cosan registrou um prejuízo de 473,8 milhões de reais, mesmo com a produção recorde de 44 milhões de toneladas de cana. A explicação está na valorização do real e na queda do preço do açúcar e do álcool no mercado internacional, que corroeram as margens. "Não queremos continuar a nos expor apenas às incertezas do mercado de commodities", diz Marcelo Martins, diretor financeiro e de relações com investidores da Cosan.

Além disso, separar cada um dos negócios em empresas independentes pode ajudar a atrair investidores. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Radar, criada há dois anos para investir em terras agrícolas. Em 2008, a Cosan conseguiu um aporte de um fundo americano (o valor e o nome do fundo não são revelados). Agora, com uma divisão mais clara entre as empresas, a ideia é multiplicar esse tipo de operação.

Todos esses novos negócios nascem grandes -- graças a um providencial impulso do negócio tradicional da Cosan. A caçula do grupo, a recém-criada Rumo Logística, por exemplo, nasceu em outubro deste ano já como a maior exportadora de açúcar e álcool do mundo. Com dois terminais no porto de Santos, no litoral de São Paulo, a Rumo tem capacidade para exportar 9 milhões de toneladas de açúcar. Por enquanto, o transporte da carga até os terminais é feito em parceria com a ALL, mas a Rumo tem investimentos previstos de 1,2 bilhão de reais para a compra de trens e navios próprios nos próximos cinco anos. O objetivo é ser um dos grandes competidores globais no transporte e na exportação de produtos agrícolas. Na Cosan Alimentos, que detém mais de 50% do mercado de açúcar refinado com marcas como Da Barra e União, e na Radar, que já investiu 700 milhões de reais na compra de terras com alto potencial de valorização, os planos são igualmente grandiosos.

A orientação de diversificar as receitas fica evidente mesmo dentro do negócio de açúcar e álcool. A unidade deve investir 2,4 bilhões de reais até 2012 na geração de energia elétrica. Hoje, todas as suas 23 usinas utilizam o bagaço da cana-de-açúcar descartado durante a moagem para esse fim. Mas apenas seis delas conseguem vender o excedente. Até 2012, outras cinco devem aderir à prática. "Quando todas as usinas estiverem adaptadas, vamos produzir o equivalente a 10% da energia gerada na hidrelétrica de Itaipu", diz Pedro Mizutani, principal executivo da unidade de açúcar e álcool.

Para isso, a Cosan vai montar o próprio centro de pesquisa, que deve ficar pronto no fim de 2010. O primeiro alvo, com investimentos de 13 milhões de reais, será o desenvolvimento de um sistema eficiente para gerar energia da palha da cana-de-açúcar, ainda inédito no Brasil. "Com essas mudanças, a Cosan está mais preparada para crescer no promissor mercado de energia renovável", afirma o analista Erick Scott, da corretora SLW. O crescimento nos próximos anos inclui ainda a prospecção de oportunidades fora do Brasil.

Um executivo próximo à Cosan afirma que um dos projetos em estudo prevê a exportação de etanol pelo Caribe para fugir das sobretaxas cobradas pelos Estados Unidos ao produto brasileiro. Por trás de todos esses projetos, fica clara que a estratégia de Ometto é muito diferente da maioria das empresas de açúcar e álcool do país. "Nunca me vi como um usineiro à moda antiga. Sempre fui um rebelde", diz. Apesar dos atritos que a rebeldia costuma gerar, até agora tem dado certo.

Fonte: Revista Exame - Ed. 955 - 4/11/2009 - Negócios Expansão - pág. 46/49

Gestor para pequenas usinas.






O recente movimento de consolidação que envolveu grandes usinas de açúcar e álcool no País acena agora com uma nova etapa, com a criação da Expressão Gestão Empresarial. A companhia formada por três experientes executivos do setor pretende, em um primeiro momento, captar US$ 200 milhões junto a investidores privados no exterior para comprar, modernizar, consolidar e, posteriormente, vender usinas de pequeno e médio porte.

Os recursos serão captados por um fundo de investimento privado (FIP) com assessoria financeira da Templar Gestão e Investimentos (TGI). "Devemos fazer o road show em cerca de dois meses", contou Eduardo Pereira de Carvalho, um dos três sócios da Expressão, juntamente com Clayton Miranda e Roger Haybitle. Os três não são novatos no setor.

Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Miranda ocupou a presidência da Coimex Trading. Os dois e Haybitle participaram da criação da CZRE, empresa que originou o projeto de polos de usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, depois incorporado na criação da ETH Bioenergia, com recursos da Odebrecht.

Carvalho explicou que existe no mercado sucroalcooleiro um número elevado de usinas com problemas que não despertam interesse de grandes companhias devido ao seu porte. "As pequenas fogem do radar das grandes porque são pequenas ou porque estão defasadas tecnologicamente", afirmou Miranda.

O executivo contou que o objetivo é captar recursos num horizonte de médio prazo para adquirir participações nestas usinas, reestruturá-las tecnologicamente e também reorganizar sua gestão. Para isso, será necessário que a Expressão detenha o controle da gestão, mesmo que não haja o controle acionário. "O objetivo é dar uma gestão única para esta série de usinas pequenas", disse.

A expectativa é criar um grupo com capacidade de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas por ano. "Estas usinas não precisam estar próximas ou formar um polo com sinergia. A ideia não é essa. O objetivo é unificá-las através de uma gestão homogênea. Se apresentarem sinergia, é lucro", afirmou.

A ideia do empreendimento surgiu quando o trio de executivos recém-saídos da ETH notou o número expressivo de usinas pequenas com problemas. Ao mesmo tempo, eles constataram que estas empresas não estavam no leque de interesses de grandes usinas. "São empresas com baixa produção ou que precisariam de revitalização tecnológica. Começamos, então, a pensar num novo modelo de consolidação", disse.

Carvalho ressaltou que o grupo mapeou um universo de cerca de 40 usinas em dificuldades financeiras, sua localização e a influência de grandes grupos sobre elas, além da capacidade de expansão de área plantada. "Fizemos uma triagem conservadora de potenciais usinas, considerando a questão logística", explicou Miranda. Desta triagem, surgiu o grupo de 12 usinas que estão em diferentes estágios de negociação neste momento.

Miranda lembrou que, no modelo de negócio, será oferecido aos atuais proprietários a continuidade na participação no negócio, seguindo um modelo bem sucedido nas usinas que formaram a ETH. Cada usina tenha uma negociação própria. Com a aquisição das usinas, o próximo passo será investir na adequação tecnológica e na organização da gestão.

O executivo acrescentou que a abertura de capital da empresa consolidada não está descartada, já que a ideia é criar uma holding que abarque todas as usinas menores.


Fonte: Jornal do Commercio - RJ

Etanol no Zimbábue.




O Ministério da Agricultura informou que um grupo de empresários do Zimbábue adquiriu uma usina de etanol localizada em Diamantina (MG) para desmontá-la e transportá-la para o país africano. O investimento total chegou a US$ 220 milhões.

Com a transação, os empresários do Zimbábue começam a se preparar para abocanhar mercado em consequência dos planos do governo do país de desenvolver seu setor energético até 2020. Até lá, a meta é que o Zimbábue esteja produzindo cerca e 1 bilhão de litros de etanol por safra.



Fonte: Valor Econômico


Operação de Venda realizada pela E-Machine Comercial Ltda.

Consolidação chega às pequenas usinas de cana.



Enquanto o setor de açúcar e álcool nacional vive um momento de consolidação das grandes empresas, com a criação de gigantes mundiais, três experientes executivos do setor resolveram apostar na consolidação de usinas de pequeno e médio porte. Eduardo Pereira de Carvalho, Clayton Miranda e Roger Haybittle, os três egressos da ETH Bioenergia, criaram sua própria empresa, a Expressão Gestão Empresarial, e pretendem, em um primeiro momento, captar US$ 200 milhões com investidores privados no exterior para comprar, modernizar, consolidar e, posteriormente, vender usinas de pequeno e médio porte. Os recursos serão captados por um fundo de investimento privado (FIP), com assessoria financeira da Templar Gestão e Investimentos (TGI). "Devemos fazer o road show em cerca de dois meses", disse Carvalho.

Os três sócios têm uma longa vivência nesse setor. Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Miranda ocupou a presidência da Coimex Trading. Os dois e Haybittle participaram da criação da CZRE, empresa que originou o projeto de polos de usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, depois incorporado na criação da ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht.

Carvalho explicou que existe no mercado sucroalcooleiro um número elevado de usinas com problemas que não despertam interesse de grandes companhias por causa de seu porte. "As pequenas fogem do radar das grandes porque são pequenas ou porque estão defasadas tecnologicamente", afirmou Miranda.

O executivo contou que o objetivo é captar recursos num horizonte de médio prazo para adquirir participações nas usinas, reestruturá-las tecnologicamente e também reorganizar sua gestão. Para isso, será necessário que a Expressão detenha o controle da gestão, mesmo que não haja o controle acionário. "O objetivo é dar uma gestão única para esta série de usinas pequenas", disse.

A expectativa é criar um grupo com capacidade de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas por ano. "Essas usinas não precisam estar próximas ou formar um polo com sinergia. A ideia não é essa. O objetivo é unificá-las por meio de uma gestão homogênea. Se apresentarem sinergia, é lucro", afirmou.

Carvalho ressaltou que o grupo mapeou um universo de cerca de 40 usinas em dificuldades financeiras, sua localização e a influência de grandes grupos sobre elas, além da capacidade de expansão de área plantada. "Fizemos uma triagem conservadora de potenciais usinas, considerando a questão logística", explicou Miranda. Dessa triagem, surgiu o grupo de 12 usinas que já estão em diferentes estágios de negociação neste momento.

O modelo de negócio, segundo especialistas, tende a dar certo. O consultor Plínio Nastari, presidente da Datagro, acredita que o setor precisa de novos modelos de consolidação para os pequenos. Segundo ele, a saída para que as pequenas usinas consigam competir com as maiores é exatamente a união entre elas.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Grandes grupos ocupam o espaço de famílias tradicionais nas usinas.




Durante décadas, eles protagonizaram uma história cheia de sucesso e polêmica em uma das atividades mais antigas do Brasil: a produção de açúcar e álcool. Desenvolveram o maior e mais eficiente programa de biocombustível do mundo, fizeram fortuna, ganharam os holofotes do mercado internacional e despertaram a cobiça de megainvestidores. Agora, famílias tradicionais, cujo sobrenome virou sinônimo da indústria sucroalcooleira, começam a se tornar meros coadjuvantes de uma história que volta a ser reescrita e tem como mote a concentração e os ganhos de escala.

O mais recente capítulo dessa nova fase do setor é a megatransação entre a Santelisa Vale - das famílias Biagi e Junqueira Franco - e a Louis Dreyfus Commodities (LDC) Bioenergia. Com a operação, a gigante francesa passa a ter 5,1% do setor e sobe ao segundo lugar no ranking dos maiores grupos do País. A LDC perde apenas para a Cosan (9,3%), a maior produtora de açúcar e álcool do mundo, da família Ometto, que se uniu ao Grupo Nova América, dos Resende Barbosa.

Em menos de uma década, a participação dos cinco maiores grupos do setor subiu de 12% para 21,54%. Em cinco anos, esse número pode chegar a 40%, avaliam especialistas. O avanço alcançado até agora foi resultado de 99 fusões e aquisições entre 2000 e 2009 na indústria sucroalcooleira, segundo dados da consultoria KPMG.

Nesse processo, famílias como Junqueira Franco, Biagi, Vieira, Tavares de Melo e Resende Barbosa cedem seus lugares a novos personagens. Entre eles, Dreyfus, Tereos, ETH (da Odebrecht), Bunge, Cargill e Adecoagro (do megainvestidor George Soros), além da gigante Cosan. Nos próximos meses, alguns deles vão fazer barulho em três grandes negócios em andamento no setor.

Os grupos Moema, Equipav e Brenco, responsáveis pela moagem de mais de 20 mil toneladas de cana, devem ser comprados ou incorporados. A americana Bunge é a mais cotada para levar a Moema, de Maurílio Biagi, e a ETH já assinou memorando de entendimento de fusão com a Brenco. No caso da Equipav, pelo menos nove empresas, entre elas a Bunge, são candidatas a aquisição dos ativos.

"Todo mundo está de olho na gente. Somos um dos melhores ativos do País", avalia Maurílio Biagi Filho, sócio da Moema, o quinto maior grupo do setor. O usineiro é irmão de Luiz e André Biagi, que venderam a Santelisa para a Dreyfus. Se o negócio com a Moema for fechado, o clã Biagi, cuja primeira usina foi fundada em 1931, praticamente passa a ter uma participação minoritária no setor. "Ainda temos umas usininhas por aí", comenta Maurílio.

Ele acredita que a tendência de consolidação deve continuar nos próximos anos, mas dificilmente o setor será concentrado como nos demais segmentos. Hoje a indústria de açúcar e álcool conta com mais de 400 usinas comandadas por mais de 200 grupos, diz o diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão.

Ele explica que a crise internacional iniciada no ano passado castigou o setor, que estava altamente endividado, em especial em moeda estrangeira, por causa de novos investimentos. Entre 2006 e 2009, quando o etanol ganhou importância no contexto contra o aquecimento global, foram injetados no setor US$ 20 bilhões.

Muito endividadas no curto prazo, muitas empresas tiveram problemas de liquidez uma vez que o mercado de crédito mundial se fechou. "Isso provocou uma queda significativa no preço dos ativos e facilitou o "bote" dado pelas multinacionais, capitalizadas", diz o presidente do Sindicato de Açúcar e Álcool de Minas Gerais, Luiz Custódio Cotta.

Segundo ele, mesmo antes da crise, alguns produtores estavam insatisfeitos com os preços do etanol e aproveitaram as oportunidades. Entre eles, estava a família Tavares de Melo, produtores tradicionais do Nordeste. Uma ala da família vendeu cinco usinas para a Dreyfus e encerrou 78 anos de atividades no setor. O grupo decidiu se concentrar em outros negócios, como o de sucos.

Outra clã tradicional que não resistiu às investidas dos estrangeiros foi a família Vieira, dona da Usina Monte Alegre, em Minas Gerais. A empresa tornou-se sócia minoritária do megainvestidor George Soros, dono da Adecoagro. "Nosso negócio ficou mais capitalizado com essa associação. Durante a crise, sofremos menos que outras companhias do setor", afirma o diretor da Adecoagro, Marcelo Vieira, cuja família fundou a Monte Alegre em 1917.

"Precisamos juntar o capital do investidor estrangeiro com a experiência dos grupos nacionais, essenciais para o sucesso dos empreendimentos", avalia Vieira. Mesma opinião tem o consultor Eduardo Pereira de Carvalho, ex-presidente da Unica e ex-diretor da ETH: "Existem alguns preconceitos no Brasil que precisam ser eliminados. Um deles é contra o capital estrangeiro. O País não tem poupança suficiente para bancar todos os investimentos."

Na avaliação dele, que tem trabalhado em alguns negócios, o setor está mudando de dimensão. Ou seja, deixou de ser um produtor local para entrar no universo dos combustíveis, no mundo da energia. Ele acredita que, muito em breve, o plano de algumas petroleiras de estrear no setor se tornará realidade. Oportunidades não faltarão, garante.

Neste momento, as operações envolvem grandes ativos. "Mas os pequenos usineiros terão seu momento. Nós, por exemplo, estamos de olho nas usinas menores." O sócio da KPMG, André Castelo Branco, acredita que as grandes operações continuarão a ocorrer nos próximos meses, até porque ainda há empresas em dificuldades. Para ele, daqui pra frente o setor será mais corporativo e menos familiar. "Mas esse será um processo gradativo."



Fonte: O Estado de S. Paulo

Brazil giant eyes Angola ethanol project.




Africa’s massive land mass and rich feedstocks have attracted the attention of Brazilian industrial giant Odebrecht.

The company is planning to inject $220million (€149 million) into sugar and ethanol production in Angola amounting to the production of 30 million litres of ethanol a year.

The Brazilian company has set up a joint venture, Biocom, with the Angolan state-owned oil firm Sonangol and private company Damer.

The company intends to farm sugarcane on 30,000 hectares of land in Malange province, some 400 km east of the capital Luanda. A processing plant for sugar and ethanol production will also be set up, and is expected to have an annual processing capacity of 260,000 tonnes of sugar.

The fibrous parts of the sugarcane, as well as the heat from the plant, will be utilised for the production of electricity, with an expected generation capacity of 47MW.

After 27 years of civil war, Angola’s agricultural sector is in need of revitalisation.

Source: Biofuels International

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

As confusões do IBGE e o setor sucroalcooleiro.




Censo Agropecuário põe mais lenha no debate sobre a expansão agrícola para a produção de biocombustíveis

No controverso debate sobre a expansão agrícola para produção de biocombustíveis, o Brasil tem ocupado posição de liderança, como único país capaz de duplicar a oferta de etanol, que já é a segunda maior do mundo, sem ter que travar competição interna com gêneros alimentícios ou suprimir ecossistemas sensíveis. O trunfo estaria na extraordinária abundância de terras. É nesse argumento que se fiou até agora o setor sucroalcooleiro ao se apoiar nos dados do IBGE para sustentar a existência descomunal de 180 milhões de hectares de pastos, com pelo menos um quarto deles degradados, aos quais a cana-de-açúcar daria destinação útil e desejável.

Com a publicação do Censo Agropecuário 2006, uma análise descuidada poderia por em xeque o argumento. Pela primeira vez na história os dados censitários discriminam entre as pastagens brasileiras aquelas consideradas degradadas. E a taxa inaugural é surpreendentemente baixa, isto é, 6% ou 10 milhões de hectares, área quatro vezes menor do que a propalada pelo setor.

Mas esses dados do novo censo não são confiáveis. Tecnicamente, "pastagem degradada" é aquela incapaz de produzir biomassa suficiente para suportar o pastoreio e promover o ganho adequado de peso animal, configurando uma área cuja produtividade está aquém de seu potencial, podendo, no limite, ser considerada improdutiva. Ora, como a estimativa do censo é construída a partir de questionários aplicados aos próprios pecuaristas, é de se esperar que os entrevistados subestimem suas áreas degradadas, caso contrário estariam depondo contra si mesmos, alardeando a improdutividade das propriedades. É plausível deduzir, portanto, que haja muito mais pastagens degradadas do que aponta o instituto.

Mais grave, porém, do que a novidade presumivelmente falha, é o velho equívoco do censo em manter os critérios de 1950 para enquadrar o Cerrado como "pastagem nativa", atribuindo-lhe previamente uma vocação pecuária em detrimento da relevância de sua biodiversidade. Dito de outra forma, nesse antigo mas persistente sistema de classificação, as mais de 3 mil espécies nativas de plantas rasteiras que compõem os campos naturais do Brasil Central são sumariamente ignoradas, discriminando-as da monocultura de gramínea exótica que caracteriza a pastagem plantada apenas pelo adjetivo "nativas", como se fosse um mero detalhe.

Nesse critério, as conversões das "pastagens nativas" em "pastagens plantadas" levam o usuário a crer que houve apenas uma substituição de forrageiras, enquanto ofuscam a verdadeira mudança na modelagem do mosaico rural advinda de desmatamentos tão impactantes para as espécies endêmicas quanto a transformação da Amazônia em pastos.

O que o Censo Agropecuário permite analisar, afinal, é que, primeiro, na geografia do Brasil real deve haver muito menos pastagens, se 1/3 delas, ou quase 57 milhões de hectares são Cerrados, bioma que mais sofreu derrubadas na década transcorrida pela lacuna censitária entre 1996 e 2006. Em segundo lugar, entre os 2/3 restantes conformados pelas pastagens plantadas, a quantidade de "áreas degradadas" deve ser muito maior do que admitem os criadores de gado, ou a pecuária brasileira não seria tão extensiva.

Nesse novo panorama, no que mudaria as perspectivas do setor sucroalcooleiro? Provavelmente em nada, e não pelo fato de que, certo ou não, o número de pastos improdutivos revelados pelo IBGE é de qualquer modo suficiente para duplicar os canaviais no Brasil. Diferente disso, nada muda porque, na prática, a expansão canavieira está ocorrendo sobretudo em áreas de lavoura de grãos, citros, café e horticultura, como têm mostrado crescentes estudos baseados em imagens de satélite.

Pesquisa liderada por André Nassar, importante cientista no tema, mostra a preferência por terras agrícolas em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São terras que figuram como tradicionais redutos da pecuária, mas onde são os plantios de soja os mais substituídos pelos canaviais.

É preciso salientar ainda que nem mesmo o Zoneamento da Cana deverá ser capaz de reverter esse quadro. Ao contrário do que pensa a maioria dos leigos e mesmo dos especialistas, o Zoneamento, como de qualquer outra cultura, não tem o poder legal de disciplinar e restringir a ocupação canavieira às pastagens, senão o de mapear as macrozonas recomendadas para os plantios, com o direito garantido de reclamarem seguros agrícolas em eventuais sinistros. Uma vez inseridos na área mapeada - vale dizer a Região dos Cerrados, se a Amazônia e Pantanal foram salvos - a escolha das áreas a serem efetivamente convertidas obedecerá aos critérios que cabem exclusivamente às estratégias das usinas.

Como não há no agronegócio brasileiro setor que reúna tantos eminentes pesquisadores e grupos empresariais tão competentes quanto o sucroalcooleiro, não se deve estimar que o conhecimento científico aliado ao tino comercial conduza a decisões que justifiquem a preferência às terras marginais e degradadas apenas por serem abundantes, ou, pelo contrário, abra mão dos melhores solos porque escassos, e originalmente produtores de alimentos.

Assim, o argumento da abundância de pastagens - degradadas, nativas e plantadas -, a despeito dos critérios confusos do IBGE, persistirá convenientemente adequado para garantir o discurso brasileiro no controverso debate sobre os biocombustíveis, enquanto as áreas já arroteadas para a agricultura permanecerão como as efetivamente substituídas pela cana, por apresentarem, sem dúvida alguma, as melhores expectativas de rendimento concentradas nas regiões servidas por infraestrutura privilegiada ou próximas aos grandes centros consumidores.


Rafael Feltran-Barbieri doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP e pesquisador do Núcleo de Economia Socioambiental (NESA)
Fonte: Valor Econômico

Moema e Brenco são as próximas da fila




Depois da incorporação da Santelisa Vale pelo grupo Louis Dreyfus Commodities, anunciada esta semana, o mercado voltou suas atenções para outras negociações em curso no setor sucroalcooleiro. Além da Equipav, que colocou seus ativos à venda, outras duas importantes operações envolvendo usinas estão em andamento.

O grupo paulista Moema está em conversações avançadas com a Bunge, segundo pessoas familiarizadas com a operação. A multinacional estaria aguardando apenas um acordo entre os principais acionistas da companhia paulista para efetivar a aquisição das usinas.

Para a Bunge, só interessa comprar a Moema, se a multinacional garantir o controle majoritário das usinas. É que das seis unidades do grupo, em apenas duas a Moema tem o controle majoritário. Em outras duas, a empresa tem participação de 50% e nas duas outras restantes apenas participação minoritária, afirmaram as mesmas fontes. A Bunge garantiu a preferência para fechar a compra e está em processo de "due dilligence" (auditoria). Os principais acionistas da Moema deverão negociar a participação dos minoritários para que a Bunge tenha o controle das seis unidades, que têm capacidade para moer até 15 milhões de toneladas de cana por safra.

Fontes afirmam que se a Bunge não fechar negócio com a Moema, deverá intensificar suas apostas na Equipav. Parte dos grupos interessados na Equipav também já teria assediado a Moema.

Outra importante negociação em curso é a incorporação dos ativos da Brenco pela ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht. Fontes afirmam que as negociações também seguem avançadas. Até o fim de novembro, a ETH deverá divulgar os desdobramentos das negociações.

Com a crise que atingiu o setor, cerca de 50 usinas do Centro-Sul estão à venda. Além de tradicionais grupos, como a Moema, engrossa também a lista participações de fundos que fizeram aportes em unidades durante o boom do etanol, a partir de 2005, mas que desistiram do negócio.



Fonte: Valor Econômico

Tecnologia brasileira captura moléculas de CO2 e gera produtos.

Uma tecnologia de baixo custo, desenvolvida no Brasil, permite capturar moléculas de gás carbônico e, além de impedir que elas sejam lançadas na atmosfera pelas indústrias, transforma a poluição em potencial em insumos com valor de mercado.

Esferas cerâmicas

O dispositivo central da tecnologia tem a marca da simplicidade. Ele é formado por pequenas esferas cerâmicas, de cor branca e medindo menos de meio centímetro de diâmetro. Quando colocadas nos sistemas de exaustão das indústrias, essas esferas são capazes de absorver até 40% do dióxido de carbono (CO2) expelido pelas chaminés.

A tecnologia, desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) já está sendo transferida para a iniciativa privada, para início de comercialização. A implantação ainda irá exigir estudos de engenharia para cada tipo de indústria onde a tecnologia será implantada.

Outro item de destaque é que a pesquisa levou apenas dois anos, do seu início até a fase de transferência de tecnologia para o setor privado, abrindo novas perspectivas em um campo considerado bastante complexo em todo o mundo.

Alternativas para o CO2

O CO2 - um dos gases responsáveis pelo efeito estufa - desafia cientistas em busca de uma solução eficiente e viável economicamente para capturá-lo e armazená-lo.

"Realizamos investigações exaustivas em relação ao CO2. Diversas fábricas utilizam filtros que retêm material particulado, mas não evitam o lançamento do dióxido de carbono. Outras tecnologias, como injetar o gás para extrair petróleo, enterrando-o nos poços vazios, e a produção da árvore artificial que absorva CO2, são consideradas de custo elevado", observa o professor Jadson Cláudio Belchior, do Departamento de Química da UFMG e um dos autores do projeto, junto com Geraldo de Lima, também professor do mesmo Departamento.

Eles estimam que a nova tecnologia, além de abrir oportunidades econômicas no mercado de créditos de carbono, poderá propiciar lucro até dez vezes superior ao valor investido na preparação da cerâmica - e isso para apenas um dos insumos gerados no processo de reciclagem.

Fixação do gás carbônico

O estudo dos pesquisadores da UFMG baseia-se na fixação do gás carbônico por meio das esferas cerâmicas. Instaladas no sistema de exaustão das indústrias, elas interagem, por processo químico e em altas temperaturas, com o dióxido de carbono.

"Ao entrarem em contato com esse material, as moléculas são capturadas por meio de reações químicas no estado sólido", explica Jadson Belchior. Ele compara as esferas com uma mala carregada de CO2. Tão logo fiquem saturadas, elas sofrem outro processo, responsável por extrair o CO2 absorvido. A composição das esferas é mantida em sigilo.

De acordo com os professores, um dos diferenciais da tecnologia é permitir o reaproveitamento das esferas e das moléculas sequestradas. Experimentos iniciais em laboratório indicam que o material pode ser reutilizado até dez vezes. Quanto ao CO2, ele se torna insumo para a panificação ou para uma série de compostos orgânicos nas indústrias de plásticos, cerâmica, têxteis e química; e na fabricação de inseticidas, corretivos de solos, papel e sabão.

Mitos da literatura científica

A aparente simplicidade da tecnologia desenvolvida necessitou, no entanto, de certa "coragem" dos autores em descerrar o que eles denominam mitos da literatura científica.

"Todos os registros indicavam que o material que utilizamos, submetido a uma determinada temperatura, não seria efetivo para absorver CO2", relata Geraldo Lima. No entanto, com equipamentos mais modernos e sofisticados, foi possível refinar os resultados e verificar os erros. "Investigamos as melhores composições de materiais absorvedores que seriam adequadas às faixas de temperatura estudadas", acrescenta o professor.

Agentes expansores

Um dos desafios para aumentar a capacidade de fixação do dióxido de carbono nas esferas consiste em torná-las resistentes e, ao mesmo tempo, porosas o suficiente para permitir uma maior penetração do CO2 em sua estrutura. Isso significa que, se o processo de compactação das esferas não for adequado, a absorção ficará restrita à sua superfície.

Conforme explicam os pesquisadores, o problema tem sido contornado utilizando-se agentes expansores, cuja função é gerar poros no interior da estrutura das bolinhas cerâmicas.

Novos estudos pretendem aumentar a eficiência de absorção em até 60%. "Devido à complexidade dessa fase do projeto, necessitamos ampliar a equipe com pessoal qualificado - pós-doutores, técnicos e alunos de pós-graduação - para garantir os resultados esperados", ressalta Geraldo Lima.

Colaboração empresa-universidade

A proposta do trabalho surgiu por iniciativa do empresário André Santos de Rosa, interessado em investir em tecnologias produzidas por universidades. "O mundo está atrás de conhecimento para captura de carbono e essa tecnologia apresenta uma das soluções para o problema do aquecimento global", diz ele. Sua empresa, a Amatech, financiou a primeira etapa do projeto.

A patente nacional para o dispositivo foi depositada em março deste ano, por meio da Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT) da UFMG. Até fevereiro de 2010, o depósito internacional deverá ser efetuado. Nessa primeira fase, a titularidade é dividida entre a Universidade e a Amatech.

O próximo passo do projeto é aumentar a capacidade de absorção da cerâmica e desenvolver novos insumos a partir do gás - etapa que também será apoiada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes) e pela Fapemig.

Fonte: Inovação Tecnológica

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

CMN libera concessão a partir do ZaeCana.




O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta quarta-feira (28) concessão de crédito rural (agricultores) e agroindustrial (usinas e destilarias) para produção e industrialização de cana-de-açúcar nas áreas previstas pelo Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (ZaeCana). A medida veda o financiamento para produção nas áreas dos biomas Amazônia e Pantanal, Bacia do Alto Paraguai, em terras indígenas, com cobertura de vegetação nativa, remanescentes florestais, reflorestamento ou áreas de proteção ambiental.

Instituído pelo Decreto 6.961, de 19 de setembro de 2009, o ZaeCana indicou potencialidades para a cana-de-açúcar em mais de 60 milhões de hectares, considerando os critérios de sustentabilidade econômica, social e ambiental.

Adicionalmente, foi encaminhado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei 6.077, de 2009, que trata das restrições à expansão da cana. Leia mais clicando aqui.



Fonte: Agroind

Cana-de-açúcar apresenta boa produtividade no Cerrado.




A cana-de-açúcar no Cerrado poderá ter produtividade semelhante à das áreas de lavouras tradicionais. Isso é o que apontam os primeiros resultados de uma pesquisa da Embrapa Cerrados que avalia diversos aspectos da cultura na região, considerada de expansão do setor sucroalcooleiro. O projeto, que se iniciou no ano passado, aponta números acima da expectativa em algumas localidades do bioma que ainda não são produtoras. No primeiro ciclo da cana ("cana-planta"), a produtividade ficou acima das 100 toneladas por hectare, semelhante à das regiões tradicionais.

O estudo avalia a produtividade e adaptação de cultivares indicadas para outras regiões produtoras e usadas comercialmente. As cultivares estão sendo avaliadas no Mato Grosso do Sul, Maranhão, Tocantins e Goiás. Elas foram plantadas em condições de sequeiro e com a adoção de técnicas convencionais usadas nas regiões produtoras. O pesquisador Adeliano Cargnin explica que o primeiro ciclo da cana normalmente apresenta produtividade superior, como o que ocorreu nas primeiras avaliações. "Nossa expectativa é que a redução seja pequena para os próximos ciclos", explica.

Além da avaliação de cultivares, o trabalho da Embrapa Cerrados com a cana-de-açúcar envolve o manejo da água e do solo e também a preocupação com os impactos socioeconômicos e ambientais. No caso da correção do solo e adubação, foram instalados experimentos que avaliam respostas a doses de calcário, gesso e a fontes e dose de fósforo e nitrogênio. Ao todo, serão realizadas 48 atividades de pesquisa em campo e laboratório, envolvendo quatro unidades da Embrapa, com 20 experimentos de campo.

Segundo o pesquisador Thomaz Rein, que coordena a pesquisa, a ideia é avaliar a reação da planta às particularidades da região, que tem seca mais prolongada e solo mais pobre do que as ocupadas tradicionalmente pelo setor. Assim será possível fazer recomendações direcionadas ao produtor que começa a investir na cultura na região. "A expansão da cana-de-açúcar está ocorrendo e precisamos dar nossa contribuição no processo", avalia.


Fonte: Assessoria de Imprensa da Embrapa Cerrados

Porto francês investe US$ 1,5 bi para atrair etanol brasileiro.




O Brasil entra de vez na agenda dos grandes portos do mundo como exportador, uma vez que todas as atenções se voltam para os países emergentes. A França, com o maior porto de toda a Europa, já prevê US$ 1,5 bilhão em investimentos até 2011 a fim de se tornar o principal destino de produtos refrigerados e etanol produzidos no Brasil.

A ampliação do porto francês de Le Havre, que já responde por 63% do tráfego de contêineres da Europa, deve adicionar 600 mil metros quadrados de área construída - que já conta com 1 milhão de m² - e 6 novos berços, segundo Jean-Pierre Bernard, representante do Le Havre para América Latina e Chile. "Até 2015 serão 4,2 quilômetros de comprimento em novos berços", afirma.

Luana Cristina Leite, consultora de comércio exterior da B&A Gestion - representante do Le Havre no Brasil -, afirma que já há interesse dos produtores brasileiros em usar os serviços do porto nas exportações. "A Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos (ABIA) já manifestou interesse e solicitou mais materiais para avaliar a proposta", diz.

Apesar do interesse dos produtores brasileiros em exportar, o "destino das cargas ainda depende muito dos importadores", explica Luana. E é por isso que o porto tem se empenhado em "divulgar e mapear os dois lados", além de pleitear um aumento do poder de decisão do Brasil sobre o destino dos fretes, como explica a consultora.

Bernard explica que as vantagens econômicas do porto se devem ao posicionamento geográfico para a distribuição das cargas no continente europeu. "Há uma economia de até 500 euros por contêiner em relação a outros portos da Europa" em função do custo do transporte rodoviário para distribuição em grandes centros, como Paris, ante o Porto de Rotterdam (Holanda).

"No tráfego com o Brasil, o Havre tem dois grandes objetivos", que são a entrada de etanol e biodiesel no mercado europeu, além do desenvolvimento de mercados como o de carnes, frutas e peixes, afirma Bernard.

Marcelo Marques da Rocha, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Cargas do Litoral Paulista (Sindisan), acredita que a posição do País como protagonista dos emergentes é que atrai a demanda de comércio internacional. Rocha, que também é Assessor de Portos e Logística da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística), vê as demandas como grandes oportunidades comerciais "que não devem ser desperdiçadas".

A exemplo de Le Havre, o Porto de Shenzhen (China) - o quarto maior do mundo -, apresentou no último dia 13 propostas para ampliar o comércio de cargas com a América Latina, especialmente com o Porto de Santos. "Será a segunda abertura dos portos brasileiros", diz Rocha, em referência ao evento que marcou a chegada da corte portuguesa ao Brasil em 1808.

Etanol

O mercado exportador de etanol tem características próprias, segundo Joseph Sherman, diretor executivo da Associação Internacional de Comércio de Etanol (IETHA, na sigla em inglês). "Na Europa, como cada país tem uma especificação diferente, exige-se que os portos tenham diversas tancagens". Segundo Sherman, as demandas do continente atualmente são atendidas pelo Porto de Rotterdam.

Contudo, Sherman vê a exportação da commodity como um mercado que ganhará força só em 2011, uma vez que o negócio do etanol obedece a um ciclo. "Com a crise, o preço do etanol ficou mais vantajoso no mercado interno, mas isso deve se resolver até 2011", explica.

Falta infraestrutura no País ainda para encampar a exportação do combustível em larga escala, segundo o executivo. "Em Santos, precisaria de mais dois berços do tamanho do que temos hoje." Apesar da deficiência em infraestrutura logística, o Brasil é o principal exportador mundial de etanol - posição que deve ser contestada em alguns anos, à medida que se desenvolvam as produções na África e na bAmérica Central, afirma Sherman.

Há grandes investimentos em vista nos Portos de Vitória (ES), Paranaguá (PR), e Santos (SP), segundo Sherman, que podem representar um ganho em eficiência. Ele defende que a infraestrutura e a logística para a exportação do etanol é o ponto fundamental para consolidar o produto como commodity agrícola no mercado internacional.

A cadeia logística não pode prescindir de fatores como infraestruturas em portos, rodovias, crescimento de ferrovias, investimentos privados e planejamentos dos governos a fim de que melhore o escoamento do etanol para o mercado externo, segundo explica Joseph Sherman.

A IETHA vai debater as principais dificuldades das exportações brasileiras de etanol no Congresso Nacional da Bioenergia, que acontece em Araçatuba, no interior de São Paulo, nos dias 17 e 18 de novembro.



Fonte: DCI - Comércio, Indústria e Serviços

Grupo brasileiro Odebrecht inicia em 2010 produção de açúcar e etanol em Angola.




O grupo brasileiro Odebrecht dará início em 2010 à produção de açúcar e etanol em Angola, afirmou em Luanda Humberto Rangel, director de comunicação da Odebrecht Angola.

O grupo associou-se à empresa estatal petrolífera angolana Sonangol e à empresa privada Damer na parceria Biocom que irá investir 220 milhões de dólares no negócio.

A parceria irá plantar cana-de-açúcar num terreno com 30 mil hectares da província de Malange, a cerca de 400 quilómetros a oriente da capital Luanda, e uma fábrica de processamento irá produzir 260 mil toneladas de açúcar e 30 milhões de litros de etanol por ano.

Humberto Rangel adiantou que as partes fibrosas da cana-de-açúcar e o calor gerado pela maquinaria serão utilizados para produzir 47 megawatts de energia eléctrica.

A Odebrecht, que dispõe de uma participação de 40 por cento na parceria Biocom, está activa em Angola na construção de estradas, hotéis e barragens e dispõe de uma quota no bloco petrolífero 16, no "offshore" angolano.


Fonte: MacauHub

Grupo brasileiro Odebrecht inicia em 2010 produção de açúcar e etanol em Angola.




O grupo brasileiro Odebrecht dará início em 2010 à produção de açúcar e etanol em Angola, afirmou em Luanda Humberto Rangel, director de comunicação da Odebrecht Angola.

O grupo associou-se à empresa estatal petrolífera angolana Sonangol e à empresa privada Damer na parceria Biocom que irá investir 220 milhões de dólares no negócio.

A parceria irá plantar cana-de-açúcar num terreno com 30 mil hectares da província de Malange, a cerca de 400 quilómetros a oriente da capital Luanda, e uma fábrica de processamento irá produzir 260 mil toneladas de açúcar e 30 milhões de litros de etanol por ano.

Humberto Rangel adiantou que as partes fibrosas da cana-de-açúcar e o calor gerado pela maquinaria serão utilizados para produzir 47 megawatts de energia eléctrica.

A Odebrecht, que dispõe de uma participação de 40 por cento na parceria Biocom, está activa em Angola na construção de estradas, hotéis e barragens e dispõe de uma quota no bloco petrolífero 16, no "offshore" angolano.


Fonte: MacauHub

Ação quer difundir fogão a álcool no Brasil.




Moradores de uma comunidade em Salinas (no Vale do Jequitinhonha), de um assentamento rural em Betim e de Urucânia (região metropolitana de Belo Horizonte), utilizaram fogões a etanol durante nove meses e os aprovaram, afirma relatório do Projeto Gaia, grupo responsável pela iniciativa. A intenção foi substituir os fogões que usam lenha e gás por uma alternativa de combustível mais sustentável.

"É de fácil manuseio", sintetiza a diretora do projeto no Brasil, Regina Couto. Ela diz que, após os testes, as famílias ganharam os fogões, mas muitas encerraram o uso por causa do preço do etanol no interior de Minas Gerais. "A lenha é de graça", acrescenta a diretora, indicando que viabilizar o uso do etanol é uma dificuldade que o projeto tenta superar no Brasil. No entanto, comunidades como a de Betim, onde 71% das famílias do assentamento usam fogões a lenha, já sentem dificuldade no acesso ao combustível, já que na região, de pequenas propriedades há áreas se preservação, onde é proibido coletar lenha.

Além da proibição de corte das árvores, outros fatores podem estimular a mudança de fogão, como mudanças climáticas, oscilações no preço do gás de cozinha e necessidade de diminuir o uso de produtos do petróleo o. O etanol, diz Regina, entra como boa alternativa, já que pode obtido a partir de fontes, como cana de açúcar, mandioca e batata doce, abundantes no Brasil. "Mais da metade da população mundial precisa da lenha para cozinhar ou se aquecer. Nos países africanos, a falta da lenha já é um problema sério. Na Etiópia há lugares desertificados", argumenta Regina.

Antes de ser testado em Minas Gerais, entre abril e dezembro de 2006, o "Clean Cook", como é chamado o fogão de duas bocas do Projeto Gaia , foi introduzido, em 2003, na Etiópia e na Nigéria. Até hoje, o projeto é mantido nesses países com apoio financeiro do PNUD e do ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados).

Na Etiópia, o produto foi testado em campos de refugiados por ser um utensílio prático. Regina recorda que, antes de ganhar versão rústica e barateada para projetos sociais, ele era visto em lojas para camping e embarcações. Na Nigéria, o fogão foi apresentado a comunidades que cozinhavam com lenha ou querosene - combustível considerado inseguro porque provoca, frequentemente, queimaduras.

No Brasil as 87 famílias que testaram o Clean Cook eram de três comunidades "bem diferentes" mas que, segundo Regina, têm algo em comum: "costumam ter os dois: fogão a gás e a lenha, para quando falta gás". Quase dois anos após os testes, a diretora percebe que as famílias até aceitam deixar de lado o gás pelo etanol porque os dois combustíveis têm custo. "Mas quem usa lenha, que é de graça, não troca", admite.

No início dos testes, as famílias receberam os galões de etanol e o fogão de graça. Depois, o preço do combustível subiu progressivamente até atingir o valor de mercado. No assentamento Dom Orione, em Betim (35 quilômetros de Belo Horizonte), o valor pago era menor que o de Salinas, no norte do estado, por causa da disponibilidade local do combustível, diz Regina. Urucânia (a 200 quilômetros de BH) não teve problemas porque ali o projeto foi conduzido em parceria com o Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais. Mas a diretora ressalva que após o teste, a parceria também acabou e os moradores ficaram sem o etanol.

Diferentemente da África, o Brasil não precisa importar etanol e já possui o conhecimento necessário para produzi-lo em pequena escala, o que, segundo Regina, é a solução viável para o Gaia. "O equipamento de uma biorefinaria é compacto, cabe em um espaço de três por cinco metros. Tem uma torre de destilação que não passa dos cinco metros de altura, uma mini caldeira e dornas de fermentação, de onde já sai o etanol".

O equipamento, acrescenta a diretora do Projeto Gaia, pode ser operado pela própria comunidade. A próxima meta do Projeto Gaia é estender suas ações a comunidades afastadas de centros urbanos, como as da Amazônia. Para isso, a iniciativa pretende firmar parcerias de financiamento, como a que possui na África, e de fornecimento de etanol e tecnologia com usinas. "Toda a tecnologia de uma biorefinaria, todo o equipamento movido a etanol, pode prover energia pra residências, para computadores e chuveiro, por exemplo. É a produção social do etanol", conclui Regina.


Fonte: O Serrano

Family-run sugar, ethanol mills in Brazil must consolidate, say analysts.




In Brazil, analysts commenting on the merger of Louis Dreyfus´ ethanol unit and Santelise Vale noted that "small mills will be squeezed out" in a looming consolidation of the 160 sugar and ethanol groups that control 430 mills and have been running at a loss since 2007. A Wall Street Journal report said that analysts expect that the worldwide consolidation that took place in soy and cotton to be extended to sugar.



Source: Biofuels Digest - USA

Odebrecht says Angolan ethanol plant to open in 2010.




In Angola, Brazil´s Odebrecht said that its Biocom joint venture with state oil company Sonangol, and Damer, will open is long-awaited sugar and ethnaol plant in Malenge province next year. The project is under construction on a 70,000 acre plantation about 240 miles east of Luanda. The processing plant is expected to produce 260,000 tonnes of sugar and 7 Mgy of ethanol, and will burn the bagasse fro power generation for the facility.



Source: Biofuels Digest - USA

Quarta-feira, Outubro 28, 2009

Capital estrangeiro troca projetos por usinas já construídas.




Uma boa e uma má notícia para o setor de açúcar e álcool no Brasil. A boa: o investimento de multinacionais mostra que os fundamentos para o segmento são consistentes para os próximos anos. A má: ao contrário do que se esperava, o capital externo não vem para o chamado "green field", o campo verde, os novos projetos. Fica no "brown field", o campo marrom, usinas já construídas.

Essa é a avaliação de Marcos Fava Neves, professor de estratégia da USP-Ribeirão Preto, que coordenou o estudo "Mapeamento e Quantificação do Setor Sucroenergético", divulgado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

"As multinacionais tinham projetos para novas usinas, mas os investimentos migraram para unidades estabelecidas."

Se o investimento viesse como "green field", os benefícios se espalhariam por outros elos da cadeia produtiva, a partir do setor de bens de capital -máquinas e equipamentos que servem para a produção de outros bens, afirma Neves.

Isso não ocorreu por causa da crise dos últimos anos, em que vários grupos nacionais investiram de forma arrojada, esperando uma demanda internacional por biocombustíveis que não se consumou. Os preços também não colaboraram. O agravamento da crise internacional em 2008 asfixiou o crédito e deixou as empresas com margem financeira limitada.

A consultoria KPMG apurou que, de 2000 a setembro deste ano, o setor de açúcar e álcool contou com 99 fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras. Apenas nos últimos três anos, foram 45, sendo 22 negócios de empresas de capital estrangeiro adquirindo unidades de capital brasileiro estabelecidas no país.

Comparação

Mesmo com o avanço da consolidação, Neves avalia que a participação estrangeira, que não chega a 20%, ainda é muito baixa no setor. "A questão da concentração está longe de ser preocupante." Ele compara com a indústria de suco de laranja. "Uma usina e uma fábrica exigem investimento semelhante, da ordem de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões. Enquanto existem 15 fábricas de suco, há mais de 400 usinas." Ele prevê que, até o fim da próxima década, investidores de outros países terão até 40% do setor sucroenergético.

Segundo José Rezende, sócio da PricewaterhouseCoopers, é natural que esse processo de consolidação continue.

Um universo de 400 a 450 usinas no país é controlado por 140 a 160 grupos, estima. Segundo ele, a participação estrangeira no setor é de 15%. Eram 12% há quatro anos.

Com o bom momento do mercado de açúcar, causado pelas quebras de safra na Índia, e com a demanda firme por álcool combustível por causa da frota flex, as empresas brasileiras ganharam dois anos de fôlego. Esse impulso, porém, não deve ser suficiente para companhias do setor replicarem a experiência de internacionalização de frigoríficos. "O espaço para a influência do etanol brasileiro se limita à América Central e à África, no futuro."



Fonte: Folha de S. Paulo

Empresários chineses visitarão MS para definir investimentos.




O último dia da visita do governador André Puccinelli e comitiva à China foi marcado por intensos contatos com empresários que anunciaram a intenção de visitar brevemente o Estado para conhecer a realidade local e definir a oportunidade de novos investimentos.

Um dos mais promissores encontros aconteceu com a cúpula do China BBCA Group Corporation que pretende desenvolver no Brasil a produção de polietileno verde a partir do bagaço de cana-de-açúcar. Os diretores do grupo entenderam que em Mato Grosso do Sul há grande oferta de matéria-prima decorrente da moagem da cana, ficando satisfeitos com o volume de incentivos fiscais oferecidos pelo Governo para empreenderem no Estado.

A produção do polietileno verde é uma tecnologia nova e extremamente atrativa porque gera redução de impacto ambiental e produz um plástico biodegradável, que se decompõe rapidamente na natureza.

"Ver vale mais do que ouvir muitas vezes", disse o governador André Puccinelli aos empresários. Na manhã de hoje (27), André Puccinelli reuniu-se na sede da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC) com dezenas de empreendedores de Shanghai e da Província de Shandong e o prefeito do município Liangshan, Chen Auo Hua. A reunião durou mais de três horas devido ao grande interesse dos empresários de conhecer a peculiaridades do Estado, tais como condições de transporte, alternativas de fabricação de caminhões e produção de grãos.

O contato foi tão proveitoso que os prefeitos de Maracaju, Celso Vargas e de Liangshan City, Chen Hua, decidiram assinar um protocolo de cooperação de desenvolvimento educacional e cultural a fim de manterem relações bilaterais, trocando experiências e oportunidades de negócios. O acordo considera os dois municípios cidades-irmãs, assim como aconteceu com a Província de Jiangxi e o Estado de Mato Grosso do Sul.

Missão vem em dezembro

A última reunião da comitiva do governador André Puccinelli aconteceu na sede da China Promoções e Associação para a Ciência, Tecnologia e Finanças, onde uma centena de empreendedores chineses se reuniram para ouvir a palestra do governador Mato Grosso do Sul, o melhor lugar para investir no Brasil. Mr. Ju Jung, secretário geral da Associação disse que uma missão comercial vai ao Brasil em dezembro e vai incluir Mato Grosso do Sul na agenda.

Os empresários demonstraram muito interesse nas perspectivas de desenvolvimento oferecidas por Mato Grosso do Sul, notadamente depois que o governador disse que o pacote de incentivos fiscais é o melhor do Brasil. André explicou que o Estado é novo, tem apenas 32 anos, precisa se industrializar e, para isso, não hesita em trocar impostos por empregos, oferecendo áreas e isenções que duram até 15 anos.



Fonte: Agora MS

Cosan promove Etanol junto ao consumidor.




A Cosan quer reforçar o seu posicionamento e promover o uso do Etanol Esso. Por isso, encomendou para a agência publicitária Lew´LaraTBWA a campanha com o slogan: "Etanol é Esso. Nossa tecnologia leva você até lá". O objetivo é apresentar o produto ao consumidor e orientá-lo a respeito da mudança da nomenclatura ´álcool´ para ´etanol´ nas bombas dos postos Esso.

A campanha de comunicação integrada reúne um programa completo de mídia para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Paraná, com filmes para TV aberta, spots para rádios, anúncios nas principais revistas e jornais do país, além de internet, outdoors e material de ponto-de-venda. Para completar, os interessados poderão, também, acessar um hotsite, onde estarão disponíveis informações sobre a qualidade do combustível, sua potência, benefícios, entre outros.



Fonte: Mundo do Marketing

Estrangeiros avançam no álcool brasileiro.




A internacionalização do setor sucroenergético brasileiro deu mais um grande passo ontem. A tradicional empresa paulista Santelisa, com 70 anos e que tinha no comando as famílias Biagi e Junqueira Franco, passou para as mãos do grupo francês Louis Dreyfus, que já detinha a LDC Bioenergia. Da união das empresas, com 13 usinas no total, surge a LDC SEV, da qual 60% serão do gigante francês.

A transferência de mais um grupo para as mãos de estrangeiros -somada aos novos negócios que estão sendo avaliados- eleva para próximo de 20% a participação externa na produção do setor, um percentual que veio antes do que se imaginava e de forma diferente.

Se, no auge da euforia do setor, em 2007, quando o presidente Lula chamou os usineiros de "heróis nacionais e mundiais", imaginava-se que os estrangeiros viriam para investir em novas fábricas e aumentar a produção, hoje eles se aproveitam da crise aguda do setor para apenas adquirir ativos tradicionais, como a Santelisa.

E há novos negócios na mira das multinacionais, como a compra da Moema pela Bunge.

"Essa é apenas a primeira onda de investimentos estrangeiros", acredita João Sampaio, secretário da Agricultura de São Paulo. A segunda será ainda maior e virá com as petrolíferas estrangeiras, que já avaliam o setor. "A segunda onda virá com investimentos pesados dessas empresas, na compra das atuais ou na formação de outras", diz Sampaio.

Concentração

Está se concretizando mais cedo no setor sucroenergético o que o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues costuma definir como "o futuro do agronegócio brasileiro": concentração e internacionalização. Ao menos dez grupos estrangeiros já estão na produção brasileira desse setor, entre eles alguns dos mais atuantes no segmento de commodities, como Cargill, Bunge, Teréos, Adecoagro, Noble Group e até a petrolífera britânica BP.

Assim, o setor sucroenergético brasileiro toma um rumo bem diferente do da carne, em que a associação de empresas ocorreu dentro do país e, após criar musculatura, os frigoríficos foram comprar outras empresas no exterior.

No caso do setor sucroenergético, as perspectivas eram boas tanto no mercado interno como no externo. Mas a segunda opção não se concretizou no curto prazo, principalmente para o álcool.

Embora as empresas ainda acreditem que essas perspectivas são favoráveis no médio prazo, a passagem dos últimos anos foi muito difícil. A Santelisa, formada pela união da Santa Elisa com a Vale do Rosário e que tinha planos de expansão, foi um caso emblemático.

A empresa foi atropelada pela crise vivida não só pelo setor sucroenergético mas também pelo estrangulamento do crédito provocado pela crise financeira internacional. Esse estrangulamento veio em um momento em que muitas delas estavam muito endividadas.

No caso da Santelisa, a saída era a venda ou a associação com outros grupos. Após várias propostas, inclusive da líder Cosan, o negócio foi fechado com a Dreyfus, criando-se a LDC SEV, a segunda maior empresa mundial no setor de energia renovável. A Cosan é a primeira.

Frustração

"Os sentimentos [sobre essa transferência da empresa] são muitos", diz André Biagi. E frustração é um deles. "Parecia que o álcool ia dominar o mundo. Fizemos várias parcerias, empurrados pelos investimentos, pelo mercado e pelas perspectivas. Veio a crise, e a empresa foi pega no contrapé. Hoje, vemos que foi uma coisa muito arrojada", diz ele.

Apesar de sentir frustração por não ter atingido os objetivos iniciais da Santelisa, Biagi diz que vê com conforto a saída menos traumática do que se imaginava há um ano. "Ganharam o setor, o mercado e os colaboradores", diz ele.

Mas o acordo final não foi fácil. Foram sete meses de negociações e muita dificuldade para chegar a um acerto devido ao grande número de participantes envolvidos.

A nova empresa tem capacidade de moagem de 40 milhões de toneladas de cana, 2,7 milhões de toneladas de açúcar e 1,5 bilhão de litros de álcool.

Para se manter entre as líderes do setor, a LDC SEV tem um plano agressivo de expansão, diz o presidente-executivo, Bruno Melcher. Por isso, recebeu uma injeção de capital de R$ 800 milhões do grupo Dreyfus e de investidores financeiros, além de converter dívidas em patrimônio líquido.

O valor da nova empresa está estimado em R$ 8 bilhões, e a companhia se prepara, também, para o lançamento de ações internamente, assim que o mercado apresentar condições mais favoráveis.



Fonte: Folha de S. Paulo

LDC-SEV traça planos para novas usinas.




Mal concluiu a incorporação dos ativos da Santelisa Vale, criando a nova empresa de agroenergia LDC-SEV, o grupo francês Louis Dreyfus Commodities já traça planos de expansão no setor de açúcar e álcool. A companhia começa a definir seus novos projetos "greenfield" (construção a partir do zero), sobretudo na região de Mato Grosso do Sul, onde já possui três unidades produtoras.

A nova companhia tem capacidade para processar 40 milhões de toneladas de cana, o que a torna a segunda maior do setor no Brasil, afirmou Bruno Melcher, CEO da nova empresa. As metas do grupo são agressivas. "Temos agora uma companhia avaliada em R$ 8 bilhões. Pretendemos abrir seu capital, assim que as condições de mercado permitirem", disse. Será a segunda tentativa da empresa de ir ao mercado. A primeira foi em 2007, mas o grupo voltou atrás.

Com 13 unidades, a companhia sucroalcooleira deverá produzir cerca de 2,7 milhões de toneladas de açúcar e 1,5 bilhão de litros de álcool, além de possuir uma capacidade de 1 GWH/ano de energia a partir da biomassa, suficiente para abastecer uma cidade de 3,5 milhões de habitantes.

Melcher assumiu o comando da nova empresa, que tem a Louis Dreyfus como acionista majoritária, com 60% de participação. Os acionistas da Santelisa, que incluem as famílias Biagi e Junqueira Franco, além do BNDES e Goldman Sachs, ficaram, juntos, com 18%. Os bancos credores somam 9% e os novos investidores, que fizeram aporte de R$ 800 milhões e ainda estão ligados ao grupo francês, outros 13%. A dívida da companhia sucroalcooleira, estimada em quase R$ 3 bilhões (não confirmada pela empresa), foi alongada. As negociações foram assessoradas pelo time da Inspire Capital (ex-ING) e Signatura Lazard , do lado da LDC, e Angra Partners, pela Santelisa. A LDC fica com seis assentos na nova empresa, os acionistas com duas e os novos investidores com uma.

Para a LDC, só interessam os ativos na qual a Santelisa tem participação majoritária. Segundo Melcher, as empresas nas quais a companhia tem fatia minoritária deverão ser desfeitas. Entre elas estão a Tropical Bioenergia, na qual a Santelisa tem 25% (os outros 50% pertencem à British Petroleum e os 25% restantes pertencem ao grupo Maeda). Na Crystalsev, braço de comercialização de açúcar da Santelisa, a LDC deverá ficar com a infraestrutura dos terminais portuários e estocagem. A divisão de comercialização será descontinuada, uma vez que a LDC tem tradição de mais de 100 anos como trading. O projeto de Santa Vitória (MG), para uma planta de alcoolquímico, está ainda em análise.

As apostas do grupo francês LDC Commodities no setor de açúcar e álcool continuarão firmes, mesmo após a recente incorporação. "Nos últimos três anos o grupo investiu no Brasil cerca de US$ 2 bilhões, dos quais US$ 1,5 bilhão foi no setor sucroalcooleiro", afirmou Kenneth C. Geld, presidente da LDC Brasil. "Para o grupo, açúcar e álcool estão na moda."

Os projetos "greenfield" já começam a ser traçados. A meta é investir em Estados onde a companhia tem usinas instaladas - sete em São Paulo, três no Mato Grosso do Sul, duas no Nordeste (Paraíba e Rio Grande do Norte) e uma em Minas. "Provavelmente, os projetos serão construídos em regiões de novas fronteiras", disse Melcher.



Fonte: Valor Econômico

Terça-feira, Outubro 27, 2009

Destilaria Diamante é vendida a grupo africano do Zimbabwe.




A Destilaria Diamante, usina mineira desativada, foi vendida em setembro ao Grupo Boabab Energy, do Zimbabwe, África, por intermédio da empresa ribeirãopretana E-Machine Comercial. A usina já está sendo desmontada.

Os equipamentos serão reformados por indústrias de Sertãozinho, SP, antes de serem transferidos para o Zimbabwe, onde será montada uma planta com capacidade de moagem estimada em 1 milhão de toneladas de cana por safra, para produção de 85 milhões de litros de etanol.

Fonte: ProCana.com

Tanzânia e Zâmbia vêem programa de biocombustível.


Zâmbia e Tanzânia conhecem nesta terça e quarta-feiras o programa brasileiro de biocombustíveis. Os seminários em sete países africanos buscam orientar as regiões em desenvolvimento no setor de energias renováveis com potencial de adotar a tecnologia brasileira.

Quase metade da população zambiana está concentrada em zonas urbanas próximas às rodovias e rotas de transporte, enquanto boa parte das áreas rurais estão desabitadas. Para o Ministério da Agricultura, os biocombustíveis podem tornar-se uma alternativa social e econômica para o futuro do país

A população de Zâmbia está próxima de 11 milhões de habitantes e sua economia cresce de 5% a 6% ao ano. Mas a renda per capita anual (US$ 1,4 mil) ainda coloca o país entre os mais pobres do mundo, com elevado nível de desemprego.

Nesta quarta-feira, a equipe brasileira promove o seminário sobre biocombustíveis em Dar es Salaam, na Tanzânia.


Fonte: DiárioNet

Fusão no Brasil cria 2ª maior processadora de cana do mundo.





A unidade brasileira do grupo francês de commodities Louis Dreyfus anunciou nesta terça-feira que concordou em assumir a Santelisa Vale, um dos maiores grupos de açúcar e etanol do Brasil, para criar a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo.

A unidade local Louis Dreyfus Commodities Bioenergia (LDC) e a Santelisa Vale disseram que o novo empreendimento, chamado LDC-SEV, controlará 13 usinas e terá uma capacidade anual de moagem de cana de 40 milhões de t, ficando atrás apenas da Cosan.

A Louis Dreyfus e um grupo de parceiros financeiros injetarão R$ 800 milhões no empreendimento, disse o grupo francês, acrescentando que também vai assumir dívidas. O valor, entretanto, não foi divulgado.

A Dreyfus terá uma participação de 60% no novo empreendimento, os acionistas da Santelisa Vale terão 18% e outros investidores ficarão com 9%. Os 13% restantes ficarão nas mãos de bancos. As empresas também afirmaram que planejam uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) para financiar uma expansão futura.

"A LDC-SEV planeja ter um IPO no futuro próximo em uma tentativa de garantir acesso ao capital necessário para sustentar sua ambição de manter um papel de liderança no crescimento e consolidação do setor de açúcar e etanol do Brasil", disseram as empresas em comunicado. "O plano de expansão da LDC-SEV é agressivo".

A Santelisa Vale tem cinco usinas no Estado de São Paulo, com uma capacidade anual de moagem de cana de cerca de 20 milhões de t. Essa é praticamente a mesma capacidade da LDC, que tem oito usinas de etanol e açúcar no Brasil.

Outras acionistas da Santelisa incluem o Goldman Sachs e o braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Um acordo para troca de controle foi assinado entre o grupo francês e os maiores acionistas da Santelisa, as famílias Biagi e Junqueira, em abril.

Fonte: Reuters

Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Controle da Santelisa Vale passa para grupo francês.




Maior grupo sucroalcooleiro da região, o Santelisa Vale também entrou na crise alavancado por dívidas, após três anos de aquisições e fusões, aproveitando-se do boom vivido pelo setor no Brasil entre 2006 e 2008.

Seus quase R$ 3 bilhões em dívidas, porém, deixaram a empresa controlada pela família Biagi em situação delicada no momento em que o crédito desapareceu e os preços do etanol não decolaram como o esperado -pelo contrário, atingiram seus menores valores em anos.

Amanhã, a escolha dos controladores da Santelisa de não encarar uma recuperação judicial para seguir em atividade será sacramentada em assembleia que passará o controle ao grupo francês Louis Dreyfus.

À frente da Santelisa na época em que a empresa decidiu aceitar um novo controlador, André Biagi não quis comentar o assunto. Responsável por fazer da Santelisa uma das grandes do setor, Maurilio Biagi Filho, que saiu em 2002 após desentendimento com os irmãos, disse que a Santelisa errou ao tentar crescer demais.



Fonte: Folha de S. Paulo

Experiência brasileira atrai atenção para veículos flex nos EUA.




Os Estados Unidos devem olhar para o que o Brasil fez para alcançar sua independência energética e a história brasileira deve ser contada. Esta foi a mensagem passada por Burl Haigwood, presidente do Clube dos Veículos Flex-Fuel (FlexFuel Vehicle Club FFV Club), a um grupo de executivos da Flórida no dia 09 de outubro, durante café-da-manhã organizado em Miami pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), a Câmara de Comércio Brasil-EUA da Flórida (Brazilian-American Chamber of Commerce of Florida BACCF) e pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O foco principal da reunião foi como os EUA e o Brasil podem trabalhar juntos para pavimentar o caminho para a segurança econômica, ambiental e energética. A discussão foi parte de uma série de eventos promovidos pela Apex-Brasil e pela Unica antecedendo a última corrida da temporada da Indy Racing League (IRL) 2010, que ocorreu no dia 10 de outubro, em Homestead, ao norte de Miami.

A Apex-Brasil é uma das principais patrocinadoras e a Unica a fornecedora oficial de combustível da IRL, que utiliza nos carros 50% de etanol de cana e 50% de etanol de milho para simbolizar a parceria entre Brasil e EUA nos biocombustíveis.

O representante-chefe da Unica na América do Norte, Joel Velasco, lembrou a audiência que o Brasil possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com 46% de suas fontes provenientes de energias renováveis. Porém, a estratégia de diversificação do País é o diferencial.

A experiência brasileira mostra que o caminho para a independência energética é pela diversificação, afirmou Velasco, adicionado que as ferramentas para a segurança energética são o uso de combustíveis renováveis em grande escala, uma infra-estrutura flexível e preços competitivos.

Brasil e EUA podem trabalhar juntos para transformar os biocombustíveis em uma realidade global. Devemos nos complementar para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, afirmou o representante da Unica.

Ele também apontou que graças à visão pioneira da Apex-Brasil, em não somente promover a exportação de etanol, mas também trabalhar com outros países para reduzir a dependência de fontes fósseis, os consumidores brasileiros e de fora estão sendo beneficiados.

Também fizeram parte do evento, o vice-presidente da BACCF e da Odebrecht, Claudio Almeida, o diretor de desenvolvimento de negócios da Odebrecht, David Peebles, e Brian Dean, presidente da Gateway Florida, joint venture formada entre entidades publicas e privadas para a promoção do desenvolvimento econômico da Flórida.

Junto com o debate, uma campanha de promoção dos veículos flex na Flórida foi lançada no dia oito de outubro, no primeiro posto de combustível a oferecer E85 (mistura de 85% de etanol à gasolina), no sul da Flórida, que começou a vender a mistura em 2007. Os donos de veículos flex receberam ingressos para a corrida da Indy, descontos na compra de E85 e acesso a um estacionamento especial na pista de corrida, reservado somente para automóveis flex.



Fonte: Agência Safras

BP trará etanol celulósico ao Brasil em 2013.




A companhia petrolífera inglesa British Petroleum (BP) começa a colocar em prática os resultados de sua pesquisa bilionária em etanol de segunda geração. A primeira planta em escala industrial do grupo começará a ser construída nos EUA em 2010, com início das operações a partir de 2012. A transferência desta tecnologia para as usinas da BP no Brasil será feita logo em seguida, na safra 2013/14, afirmou ao Valor o executivo inglês Philip New, presidente mundial de biocombustíveis da companhia.

Criada em 2006, a divisão de biocombustíveis de uma das maiores companhias de petróleo do mundo deu um salto acelerado neste segmento. O grupo já investiu US$ 1,5 bilhão em produção de etanol e em pesquisas para o desenvolvimento do combustível de segunda geração a partir dos processos do biobutanol e da lignocelulose.

As pesquisas em etanol de segunda geração começaram a ganhar corpo nos últimos anos, sobretudo nos EUA e Brasil, mas ainda não há produção em larga escala no mundo. A BP pretende ser a primeira.

A companhia inglesa desenvolve pesquisas nessa área em duas frentes. Em biobutanol, a BP tem parceria com a DuPont. O biobutanol é obtido a partir da fermentação de uma matéria-prima vegetal. A diferença é que sua molécula possui dois carbonos a mais que o etanol. Segundo New, o biobutanol tem potencial de energia 20% maior que o álcool convencional. Outro fator a favor deste processo é que o transporte do combustível pode ser feito por meio de dutos onde passam outros produtos, uma vez que este tipo de etanol não tem como característica a não absorção de água.

Com a americana Verenium, a múlti se debruçou para desenvolver o combustível pelo processo de lignocelulose, a partir de "energy grass" - fontes vegetais da família da cana. Juntas, as duas companhias têm uma planta de demonstração com capacidade para 1,4 milhão de galão por ano (cerca de 5,3 milhões de litros).

Além dos projetos em biocombustíveis de segunda geração, a BP está focada em pesquisas para a produção de diesel a partir da cana. Neste campo, a inglesa fechou em agosto uma joint venture com a americana Martek para avançar nesta área.

A BP tem pressa. A múlti acredita na expansão acelerada dos biocombustíveis no mundo e planeja firmar parcerias com usinas no Brasil para expandir a produção de etanol de segunda geração.

A companhia tem participação de 50% na Tropical Bioenergia, usina de açúcar e álcool instalada em Edeia (GO), em sociedade com a Santelisa Vale, de Sertãozinho (SP), e grupo Maeda, ambos com 25% de fatia cada. Para colocar os planos de expansão em biocombustíveis em prática, a BP vai começar a produzir em outras plantas - seja "greenfield" (construção a partir do zero) ou "brownfield" (compra de unidades em operação). Este processo de expansão no país está sendo analisado neste momento pela companhia.

O objetivo é formar clusters de produção na região onde a Tropical está instalada, afirmou ao Valor Mario Lindenhayn, presidente da BP Biocombustíveis do Brasil. A meta é produzir o etanol convencional, por meio do esmagamento da cana, e também o de segunda geração, que será voltado para o mercado externo. Os dois combustíveis serão produzidos em plantas diferentes.

New acredita no potencial da produção desses biocombustíveis em larga escala em 2020 e aposta que a participação da BP neste mercado, a partir da produção do Brasil e dos Estados Unidos, deverá ser de 10% até lá.


Fonte: Valor Econômico

Agora, a Stock.



Para relaxar, depois do GP do Brasil e no aguardo da última etapa do Mundial, em Abu Dhabi, um fim de semana de Stock Car em Curitiba. Começa o playoff que decide o título de 2009, ano que já tem como destaque a ocorrência inédita de oito vencedores diferentes nas oito corridas da fase de classificação. Curitiba costuma viver suas corridas da Stock, GT3, Porsche Cup, Fórmula-Truck, Fórmula-3 e a internacional WTCC com a mesma intensidade com que São Paulo vive o GP de F-1.

Nem todos os vencedores de corrida no ano conseguiram classificar-se entre os dez do playoff. Paulo Salustiano, o primeiro a vencer no ano, ficou fora. Por outro lado, o atual campeão Ricardo Mauricio, ainda sem vitória neste ano, é o 5º colocado. E a disputa do campeonato ainda tem dois que lutam pela primeira vitória na categoria Atila Abreu e Luciano Burti. Independentemente da classificação desses dez primeiros, as quatro etapas do playoff são uma disputa à parte.

Embora o regulamento dê ao líder um número maior de pontos a diferença entre Cacá Bueno, que é o 1º, e Burti, que é o 10º, é de 28 pontos qualquer um dos dez pode chegar ao título.

Em 2006, o primeiro ano de playoff na Stock Car, Ingo Hoffmann, que não estava classificado, foi quem mais pontos fez nessas quatro corridas decisivas, inclusive ganhando duas. O próprio Ingo faz a ressalva de que, por não estar lutando pelo título, correu sem pressão, o que é uma verdade. Mas, de qualquer forma, prova que tudo é possível. O que mais se ouve entre os pilotos é que "o playoff é um novo campeonato".

Cacá Bueno, mesmo sem ter vencido tanto como em anos anteriores, é o que acumulou mais pontos nas corridas e nos treinos - duas poles e outras três colocações nas três primeiras posições, que, a partir deste ano, passaram a valer pontos. Isso o torna favorito na briga, largando no playoff com 235 pontos, contra 223 do segundo, Valdeno Brito. Tiago Camilo é um exemplo de como a temporada foi apertada. Presente a todos os playoffs, desta vez ele só conseguiu garantir a vaga na última etapa. Depois de Curitiba, a Stock passa por Brasília e Trauma, antes de decidir o título em Interlagos.

Agora em 2009 a Stock Car se despede do combustível gasolina. A partir de 2010, usará o etanol fornecido pela União da Indústria de Cana de Açúcar. Um passo de importância estratégica porque, além da questão ecológica, mostram o Brasil como o maior produtor e exportador de etanol e de cana de açúcar no mundo, e capaz de fornecer combustível para as quatro categorias que compõem o evento Stock Car, além da Fórmula Indy norte-americana.

Exatamente 30 anos atrás, época da ditadura militar, a Stock Car, junto com outras categorias que existiam na época, reverteram uma decisão do governo em proibir as competições automobilísticas no País em conseqüência da crise do petróleo. Em menos de um mês conseguiram converter todos os motores a gasolina para o uso do etanol, combustível que se manteve por 21 anos nas pistas. Somente em 2000, a gasolina voltou por causa da importação dos motores V8 norte-americanos. Agora a categoria reencontra o seu caminho.

Além da mudança de combustível, a Stock Car terá motores mais potentes em 2010, passando dos 480 HP atuais para 520, usando um bloco de alumínio 30 quilos mais leve e o nitro, atual dispositivo para facilitar ultrapassagens, será substituído por um botão do tipo "push to pass" que demora de 2 a 3 segundos para reagir depois de acionado. Isso evita que ele seja usado para se defender de um ataque.

Quem vai tentar a ultrapassagem é sempre quem aperta o botão primeiro. Mas tem uma modificação ainda mais importante, que é a substituição dos velhos carburadores pela injeção eletrônica. Isso afasta a Stock Car brasileira daquela que sempre foi tida como o seu modelo, a Nascar norte-americana.



Fonte: Gazeta Digital

Dupla inventa filtro para capturar CO2 de indústria.




Dois químicos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) se uniram a uma empresa para dar um drible no risco representado pelo dióxido de carbono, gás que é o principal responsável pelo aquecimento global. Esferas de cerâmica desenvolvidas pela dupla têm potencial para filtrar a substância nas chaminés das fábricas e transformá-la em insumo industrial, dizem eles.

Por enquanto, a invenção, que deve ser objeto de uma patente internacional, mostrou ser capaz de sequestrar 40% do gás carbônico emitido pela queima de combustíveis. Na segunda fase da pesquisa, recém-iniciada, a intenção é melhorar esse potencial "filtrador" de CO2 (fórmula química da substância) para algo como 60%.

A nova fase do projeto deve mobilizar recursos da ordem de R$ 2,3 milhões, divididos de forma mais ou menos igual entre fundos públicos (da UFMG, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior mineira) e privados (da empresa Amatech).

Tomando a iniciativa

Aliás, num raro caso de interação entre a pesquisa universitária e o setor empresarial no país, foi o pessoal da Amatech que procurou a dupla da UFMG. "Eles vieram falar com a gente, mas ficou claro que a ideia original deles não era viável", conta Jadson Belchior, que toca o projeto ao lado de Geraldo Lima. "Eles queriam usar um material pastoso que seria complicado de trabalhar."

Belchior e Lima puseram-se a imaginar uma maneira de filtrar o CO2 com um material sólido, chegando às esferas de cerâmica, cuja composição química exata não pode ser mencionada ainda por causa da necessidade de conseguir a proteção da patente antes.

Eles revelam, porém, que é a estrutura microscópica das esferas que interage com o gás, fazendo com que este se combine à cerâmica (veja o quadro abaixo). "Nos experimentos, as esferas, que pesavam 10 gramas, passam a ter 14 gramas", conta Belchior.

Ainda é preciso encontrar a melhor maneira de integrar as estruturas ao sistema de exaustão de uma indústria, por exemplo. O pesquisador da UFMG diz que uma analogia com tocadores de CDs pode ser útil. "Poderíamos usar algo parecido com aqueles tocadores que possuem espaço para três CDs, já que depois de um tempo a esfera perde a capacidade de absorver gás carbônico", diz.

Uma vez que a "gaveta" esteja cheia, o CO2 pode ser extraído das esferas por calor ou por reações químicas, permitindo sua a reutilização e a reciclagem da substância como insumo para indústrias como a de refrigerantes, cujas borbulhas nada mais são que gás carbônico. Isso aumentaria a viabilidade econômica do processo.

Hoje, o pico de eficiência da reação ocorre a cerca de 600 C. Como diferentes indústrias -e diferentes tipos de exaustão- correspondem a temperaturas variadas, a ideia é ampliar a faixa de calor na qual a reação é otimizada.



Fonte: Folha de S. Paulo

Pesquisadores discutem novos modelos sustentáveis de uso da terra e dos recursos naturais.




Novos modelos de civilização - Os modelos de produção agrícola, de uso do solo e de aproveitamento dos recursos naturais que caracterizaram o século 20 não são sustentáveis e levaram a uma crise de abastecimento hídrico, graves alterações climáticas, escassez de matéria-prima e de fontes de energia tradicionais, entre outros problemas. O mundo - e o Brasil em particular - vive atualmente um momento decisivo para a escolha de novos modelos de civilização.

Essa é a síntese da análise realizada por pesquisadores de diversas áreas, na terça-feira (20/10), em São Paulo, durante o seminário Desafios Socioambientais para o Século 21, realizado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP) e que homenageou o geógrafo e ambientalista Aziz Ab´Sáber. O evento foi realizado em conjunto por diversas entidades nas quais Ab´Saber atuou: IEA, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCH) da USP.

"Há muitos anos venho refletindo sobre o Brasil e posso falar que um dos maiores problemas da nossa terra é a dificuldade que temos na socialização do conhecimento. Os políticos, de modo geral, não querem ouvir os cientistas e não estão interessados em usar o conhecimento para transformar a realidade. Os geógrafos não têm conseguido mostrar a eles a originalidade do conjunto do país, de sua territorialidade e de seus recursos fantásticos", disse Ab´Sáber durante a sessão em sua homenagem.

De acordo com o coordenador do seminário, Wagner Costa Ribeiro, pesquisador do IEA e professor do Departamento de Geografia da USP, o evento foi concebido com o objetivo de resgatar aspectos da trajetória de Ab´Saber, analisando e discutindo o tema dos desafios socioambientais. "Entre tantas virtudes do professor Ab´Saber, uma das maiores é a profunda capacidade de projetar e analisar cenários. Por isso achamos que a homenagem ideal a ele seria propor uma reflexão sobre a condição contemporânea, projetando cenários futuros e mostrando como a obra dele continua influenciando a busca de alternativas que resultem em maior inclusão social e resolução de problemas ambientais", disse à Agência Fapesp.

Segundo Ribeiro, a necessidade de optar por novos modelos agrícolas e energéticos motivou a realização do seminário. "É um momento propício para a discussão e proposição de alternativas e modelos. A sociedade brasileira precisa ter consciência de que ainda é possível pensar em modelos de desenvolvimento que sejam mais adequados às condições socioambientais do país. Mas, para isso, é importante pensar de uma maneira integrada - como sempre propôs Ab´Saber", disse.

Durante o seminário, Carlos Alfredo Joly, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas e coordenador do Programa Biota-Fapesp, apresentou palestra sobre o tema "Biodiversidade e Mudanças Climáticas: de Copenhague a Nagoya". Segundo Joly, no Brasil as questões de conservação da biodiversidade e das mudanças climáticas estão fortemente associadas, já que a principal fonte de emissão de dióxido de carbono no país é o desmatamento e a queima de florestas.

"Estamos contribuindo com o aquecimento, enquanto poderíamos estar ajudando a reduzi-lo significativamente. Se diminuirmos em 50% o desmatamento de forma sustentável, isso significaria redução total de 35% de gases de efeito estufa. Por isso, acho que a posição de negociação do Brasil na Convenção de Mudanças Climáticas tem sido muito tímida", disse à Agência Fapesp. Para Joly, o país deveria estar na liderança das negociações sobre mudanças climáticas, principalmente porque o país tem uma matriz energética hidrelétrica e dispõe de um combustível renovável, que é o etanol. E, segundo ele, a redução brasileira de emissões de gases de efeito estufa não é um impedimento para o desenvolvimento econômico.

"Em 2010 vamos ter a COP10 da Biodiversidade em Nagoya, no Japão, onde os países terão que demonstrar que cumpriram os compromissos assumidos em 2002 na convenção realizada na Holanda, como a redução de perda de biodiversidade. Se não mudarmos o modelo que está derrubando florestas para transformar em área de pecuária, não vamos chegar nem perto de cumprir essas metas", afirmou. Segundo ele, se o governo brasileiro assumir - na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP15), que será realizada em dezembro - metas internacionais da ordem de 40% de redução de emissão de gases de efeito estufa, isso ainda permitiria que o país continuasse com taxas de crescimento de 4,5% a 5% para a próxima década.

Paisagens diferentes

Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, professora do Instituto de Biociências da USP, apresentou a palestra "Serviços ambientais, agricultura e conservação no Brasil". Segundo ela, a o uso inadequado da terra para fins agrícolas tem causado grandes impactos na conservação da biodiversidade. "Temos trabalhos científicos que mostram como, no Mato Grosso, houve, entre 2002 e 2005, um grande surto de desmatamento. Quase um terço do Cerrado no Estado foi consumido para o agronegócio nesse período. Foi uma expansão fantástica dos negócios, mas não conseguimos conciliar a agricultura a uma paisagem sustentável. Temos que trabalhar em um novo modelo agrícola e de conservação. Mas, por enquanto, o modelo que temos à disposição se baseia em grandes extensões de plantio", disse.

Segundo Vera Lúcia, o conjunto dos estudos mostra que é preciso desenhar uma nova paisagem agrícola, mantendo áreas conservadas junto às plantações, a fim de garantir a manutenção de serviços ambientais como a polinização. "Observamos casos como o do açaí, que, ao ganhar importância econômica, estimulou pequenos agricultores de certas áreas da Amazônia a derrubar a floreta para plantá-lo. Mas, com isso, desapareceram as abelhas presentes nessas florestas, que eram responsáveis pela polinização do próprio açaí. A própria produção dependia do serviço ambiental prestado pelas abelhas", explicou.

Jose Roberto Moreira, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, falou sobre "Desafios ambientais: a questão da energia e dos recursos hídricos". Ele alertou para um grave problema de política internacional que envolve a questão ambiental e a produção de biocombustíveis - em particular o etanol e o biodiesel. "As nações ricas não têm possibilidade de produzir o etanol a partir da cana-de-açúcar, que é sem dúvida a melhor a fonte de produção de energia - a mais sustentável, que cria menos problemas sociais e ambientais. Esses países, portanto, estão criando barreiras técnicas para justificar e poder limitar a importação desse produto de países tropicais", disse.

Moreira apresentou estudos que vêm sendo realizados nos Estados Unidos e na União Europeia, voltados para embasar a criação de um protocolo de certificação de produtos derivados da biomassa para exportação. "Esse protocolo, feito até um determinado grau de complexidade, ajuda e estimula a produção de bioenergia, melhorando suas condições e até mesmo trazendo até vantagens para o Brasil. Mas, a partir de certo ponto, ele cria custos excessivos que podem impedir a competição internacional. Estamos preocupados em relação a essa certificação", disse.

Segundo ele, a certificação exigirá demonstração rigorosa dos impactos ambientais e sociais, com provas de que haverá retorno econômico para populações de baixa renda. "Isso é bom a princípio, mas eles estão imaginando que o fato de substituir um combustível por outro será suficiente para acabar com a miséria do mundo. Trata-se de um ponto de vista extremamente infantil. Na realidade, esses países estão usando argumentos ditos técnicos para criar barreiras para nossos produtos", afirmou.

Participaram ainda do seminário o diretor do IEA, César Ades, Claudio Antonio Di Mauro, da Universidade Federal de Uberlândia, Nabil Bonduki, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, e Odette Seabra, José Bueno Conti e Elvio Rodrigues Martins - os três últimos da FFLCH-USP - que falaram sobre os temas "Metrópole paulistana: qualidade de vida e proteção ambiental" e "Transformação da paisagem brasileira".



Fonte: Agência Fapesp

Iata vai liberar uso de biocombustível.




Os biocombustíveis serão autorizados para o uso em aviões comerciais já em 2010. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) anunciou ontem que iniciará no próximo ano a certificação do uso dos biocombustíveis pelas 280 empresas que fazem parte da entidade.

A certificação é considerada como o passo número 1 para a mudança nos combustíveis. O que a entidade quer é demonstrar que está comprometida em reduzir os níveis de emissões de CO2 e, assim, reverter a imagem negativa que hoje mantém com os ativistas ambientais.

A ideia não é a de ter um jato voando exclusivamente com etanol em um primeiro momento. Mas permitir que misturas reduzam a proporção de combustíveis fósseis em cada voo.

A Iata, com sede em Genebra, estima que o uso do biocombustível pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em 80% na aviação comercial. Os cálculos apontam que a introdução do etanol provocaria uma redução de cerca de 80 quilos de poluentes lançados no ar por voo de cada jato 747-400 da Boeing.

A British Airways é uma das empresas que querem usar o novo combustível.

Os testes estão provando que os motores que hoje estão sendo desenvolvidos podem facilmente ser movidos em parte à biocombustível.

A projeção da empresa é de que, até 2017, 10% do combustível usado em aviões comerciais venha de biocombustíveis. Haveria ainda outra vantagem: o sistema de distribuição será ainda mais simples que o do de veículos. Com os aviões, basta que 200 aeroportos no mundo tenham acesso ao combustível. Se isso ocorrer, a grande maioria da frota mundial poderá usar o biocombustível.

"Pela primeira vez, existe a possibilidade de alternativa para o tradicional combustível de aviação", afirmou o executivo-chefe da Iata, Giovanni Bisignani.

Mas a indicação da Iata tem um objetivo político. A entidade quer que governos de todo o mundo tratem do setor aéreo como um segmento separado nas negociações sobre mudanças climáticas que ocorrerão na conferência de Copenhague, em dezembro.

O temor da Iata é de que empresas aéreas de diferentes países sejam obrigadas a seguir exigências diferentes em termos ambientais. O resultado poderia ser uma concorrência desleal entre empresas de países desenvolvidos e emergentes.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Estudo do Programa da ONU para o meio ambiente diz que uso de biocombustível é benéfico quando integrado a estratégia geral.




Um relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado no dia 16 de outubro, e um artigo publicado na revista Science no dia 23 vão alimentar o debate internacional sobre a contribuição dos biocombustíveis na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O relatório Towards Sustainable Production and Use of Resources: Assessing Biofuels (Rumo à Produção e ao Uso Sustentável de Recursos: Avaliação dos Biocombustíveis), que Inovação deixa disponível nesta edição, é o primeiro produzido pelo Painel Internacional para a Manejo Sustentável de Recursos, vinculado ao Pnuma. Os cientistas reunidos pelo órgão da ONU avaliam positivamente o efeito do etanol de cana-de-açúcar. No comunicado destinado à imprensa, o etanol de cana é citado como um dos biocombustíveis que "podem ter impactos positivos em termos de emissões de gases-estufa". A experiência brasileira de utilização do álcool em larga escala é ressaltada como redutora de emissões.

O texto enfatiza, no entanto, que a substituição de derivados de petróleo por etanol e outros biocombustíveis é uma medida benéfica se encaixada pelos governos "na estratégia geral de energia, clima, uso da terra e da água, e agricultura". Uma das recomendações do painel é, justamente, a implantação dessas estratégias.

Já o artigo da Science, assinado por Timothy D. Searchinger e outros oito pesquisadores, trata do cálculo das emissões resultantes do uso e da produção de biocombustíveis e é desfavorável a eles. Clique aqui para ler o resumo do texto, publicado na seção "Policy Forum".

Legislação e consumidor pouco exigentes explicam relativo atraso tecnológico dos motores utilizados no País, relatam especialistas.



A realização dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento necessários para levar os motores usados nos carros nacionais a patamares de performance e emissão de gases equivalentes aos dos automóveis norte-americanos e europeus depende, basicamente, do aumento do grau de exigência do mercado consumidor e da legislação do País. De acordo com especialistas, os motores da indústria brasileira foram desenvolvidos para atender aos requisitos atuais quanto a poluição. É por isso que não têm o grau de sofisticação tecnológica dos da Europa e dos Estados Unidos, onde a lei permite níveis de emissão mais baixos que no Brasil.

A questão sobre a tecnologia dos motores usados no Brasil veio à tona com a divulgação, pelo Ministério do Meio Ambiente e o Ibama, em 15 de setembro, de uma "Nota Verde". A análise do MMA organizou um ranking com veículos mais e menos poluidores e mostrou que veículos movidos a etanol são mais poluentes do que os a gasolina, contrariando estudos que mostram o contrário e gerando protestos das entidades ligadas a produção de álcool combustível e do setor automotivo. As críticas se relacionaram à metodologia da "Nota Verde", e um dos problemas que ganhou maior destaque foi o fato de o estudo não ter levado em consideração a emissão de gases de efeito estufa, em especial o gás carbônico, ponto em que o etanol leva grande vantagem sobre a gasolina. Diante das críticas, o MMA afirmou que vai rever a metodologia da "Nota Verde".

Segundo fontes da indústria e da academia que Inovação procurou, o principal gargalo para a inovação e a elevação do patamar tecnológico dos motores usados no Brasil está no mercado: os veículos mais vendidos no País são os de cilindrada mais baixa. Esse mercado não paga o custo da pesquisa e desenvolvimento que levaria a motores mais sofisticados e menos poluidores.

Motores flex

A maior parte das vendas de veículos novos hoje no Brasil é de veículos flex – foram 1.562.139 até agosto deste ano, contra apenas 64.732 movidos apenas a gasolina, apontam estatísticas divulgadas pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Há espaço para aperfeiçoar os motores flex, mostra estudo divulgado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) durante seminário na Câmara dos Deputados realizado em 14 de outubro em Brasília. Alfredo Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da Unica e um dos autores do estudo, observa que a realidade do mercado desestimula os investimentos em motores com tecnologia mais sofisticada. Segundo a Anfavea, 47,4% dos quase 1,6 milhão de automóveis vendidos até agosto no atacado (para concessionárias e lojas de veículos) são modelos de 1.000 cilindradas, os mais baratos e com motores tecnologicamente mais simples.

Szwarc trabalhou com Francisco Nigro, da Escola Politécnica da USP, no estudo sobre eficiência do motor flex. "Já houve um tempo em que o carro movido a etanol era mais eficiente, energeticamente falando, que o movido a gasolina", disse Szwarc em entrevista a Inovação. A eficiência energética é a relação entre a energia produzida pelo motor para movimentar o carro e a energia fornecida pelo combustível que ele consome. Quanto mais energia for dissipada pelo motor para transformar a energia contida no combustível em movimento do carro, pior é sua eficiência energética. "Nosso trabalho mostra que, no passado, o carro a álcool foi mais eficiente ― quando os motores utilizavam carburador, eram menos potentes e tinham desempenho inferior", acrescenta. O estudo divulgado pela Unica aponta ser possível fazer aperfeiçoamentos nos motores flex para maximizar os benefícios do etanol, como trabalhar para ter um maior calor latente de vaporização e maior octanagem.

Quando se fala de um motor dedicado, ou seja, que usa apenas um tipo de combustível, é mais fácil e eficaz melhorá-lo tecnologicamente do que quando se trata de um bicombustível, diz o consultor. "Poderíamos avançar [na evolução dos motores flex], mas, por uma questão de custo, não o fazemos. O limitante do custo está relacionado à questão do mercado, à classe de veículo mais vendida no Brasil [os chamados carros populares]", acrescenta. "O que existe hoje no País são motores que passaram por inovações incrementais para poderem usar a mistura gasolina-etanol; eles não mudaram o paradigma da indústria e hoje apresentam menor eficiência quando comparados a motores movidos apenas a gasolina".

Legislação ambiental: empurrão para a inovação em motores

Um dos grandes indutores de inovação, no caso dos motores dos veículos, tem sido a legislação ambiental, que limita a emissão de poluentes e, mais recentemente, de gás carbônico eliminado pelos escapamentos dos automóveis. Dessa forma, os motores evoluem tecnologicamente de acordo com as exigências. Leis mais duras, como as europeias e norte-americanas, levaram o setor a inovar para melhorar esses quesitos. Então, na visão das empresas, não se trata de haver motores tecnologicamente menos ou mais evoluídos no Brasil: trata-se de motores que atendem a uma legislação menos restritiva e, por isso, menos exigente em termos tecnológicos. A indústria também argumenta que o percentual de 23% de álcool anidro adicionado à gasolina (o governo estuda aumentar para 25%, por causa da queda do preço desse álcool), maior que praticado nos países industrializados, resulta em adaptações nos motores que não favorecem a diminuição do nível de emissões.

"Temos vários tipos de motores no mercado; alguns mais antigos, que demandam maior esforço para cumprir o que mandam as leis atuais, outros bastante modernos. Há uma tendência de os motores se modernizarem rapidamente nos próximos anos ― tudo está vinculado à exigência legal do País", analisa Fábio Ferreira, gerente de desenvolvimento de produto da Divisão Gasoline Systems da Robert Bosch América Latina. "Mesmo os motores mais antigos atendem a legislação brasileira, que está evoluindo rapidamente. Claro que estamos atrás das legislações mais apertadas, como a dos Estados Unidos, por exemplo, que é a que estamos seguindo. Mas, repito, os motores atendem à exigência do mercado brasileiro", continua. "O motor está casado com a exigência do mercado. À medida que o mercado passar a exigir mais, o motor vai evoluir", aposta.

Ferreira destaca a importância do trabalho de desenvolvimento nos motores usados no Brasil para atender as características do combustível local. A engenharia no setor no País ainda é mais voltada para adaptações para o mercado brasileiro. "O motor tem características especiais no Brasil, mas nos conceitos básicos é o mesmo motor que se encontra lá fora", diz. Hoje, segundo ele, existe uma linha de motores com injeção direta de combustível, conhecida pela sigla GDI, que é bastante avançada. O Brasil está bem longe dessa tecnologia atualmente. "É uma tecnologia muito focada em [redução de] consumo de combustível e em [melhoria de] performance, de grande torque, com uma força muito grande para movimentar o veículo. São motores muito mais caros e que não são estão disponíveis no mercado brasileiro ainda. O Brasil está muito distante do nível tecnológico desses motores", acrescenta.

Multinacional italiana como exemplo

A Fiat Powertrain é uma empresa do grupo Fiat que produz motores para o mundo todo com presença também no Brasil ― uma nova planta de produção entra em operação até o final do ano em Betim (MG). Na FPT é possível encontrar exemplos didáticos das duas situações: a de um de motor que foi adaptado para o Brasil porque há mercado consumidor, e outro que é tecnologicamente melhor, mas não virá para o País, ao menos por enquanto, pois aqui o mercado para esse tipo de produto é restrito. A empresa trouxe da Europa o motor turbo 1.4 T-Jet, que hoje equipa os carros modelo Linea, um sedã médio. "É um motor europeu que foi desenvolvido para usar o combustível brasileiro, mas a tecnologia nele é a mesma usada para a Europa", afirma Luiz Rachid, gerente de desenvolvimento de motores Fiat Fire na América Latina.

Um motor desenvolvido no exterior não é simplesmente transplantado para o carro brasileiro. "Há um processo de verificação de todos os componentes, por causa do funcionamento com esse combustível diferente [álcool misturado à gasolina], e uma calibração do motor, porque a central eletrônica precisa saber qual combustível é esse, já que cada combustível reage de uma forma diferente na câmara de combustão", explica ele, se referindo ao processo de 'tropicalização' ― nome que a indústria automobilística usa para se referir à adaptação de tecnologias desenvolvidas no Hemisfério Norte para as condições brasileiras.

O segundo exemplo se encaixa no que o estudo da Unica indica em relação a como opera a indústria quando o assunto é inserir motores mais evoluídos tecnologicamente. Trata-se de um lançamento recente da FPT, o motor MultiAir, para veículos a gasolina, apresentado no Salão de Genebra em março deste ano. Demorou dez anos para ser desenvolvido. Segundo Rachid, esse novo motor traz ganhos em performance e torque e reduz o consumo e as emissões, atendendo aos padrões europeus. Esse motor equipará os veículos mais sofisticados da Fiat e está disponível no mercado europeu. A empresa avalia se há mercado no Brasil para o MultiAir. De qualquer forma, Rachid garante que a nova planta da FPT em Betim pode produzir essa linha de motor, caso a empresa decida trazê-lo para o mercado nacional.

O motor MultiAir é formado por um sistema de acionamento hidráulico das válvulas de aspiração comandado por uma central eletrônica ― e essa central é o 'pulo do gato' dessa tecnologia. Ela consegue comandar a abertura e o fechamento das válvulas de aspiração cilindro a cilindro, conforme a situação de trânsito em que se encontra o veículo, o motor e o motorista. Capta a condição de operação do motor ― baixa ou alta rotação, solicitação do motorista, velocidade, entre outros parâmetros. "Hoje, todo o controle de ar aspirado no motor é feito através da borboleta. No MultiAir, a dependência da borboleta é mínima, só para a marcha lenta. Não se depende mais da borboleta para controlar o ar admitido; todo o controle é feito através das válvulas de aspiração. Com isso, reduz-se a perda de carga e o atrito, e o controle é muito mais preciso", explica Rachid. Por exemplo, em marcha lenta, a central eletrônica envia um comando que provoca atraso na abertura da válvula de aspiração. Com isso, a mistura entre ar e combustível dentro da câmara de combustão é mais homogênea, melhorando a combustão em si. A queima mais eficiente do combustível resulta, em consequência, em menor emissão.

Para reduzir emissão, tecnologias focam corte de consumo

Fábio Ferreira, da Bosch, explica que quando se trata de reduzir a emissão de gás carbônico a inovação buscará melhorar o consumo. "O outro lado que precisamos observar é a emissão de poluentes, que é pequena, mas altamente danosa à saúde. Nesse caso, trabalhamos com tecnologias concentradas para esses gases", continua. É o caso da tecnologia flex start desenvolvida pela Bosch, que aquece o álcool e elimina uma de suas desvantagens: quando o motor está frio, o etanol não queima bem e gera hidrocarbonetos, que resultam em aumento da emissão de CO2.

Segundo ele, as tecnologias existentes no mercado darão conta das novas normas que devem ser adotadas no Brasil nos próximos anos, no âmbito do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve). Os avanços vão envolver desenvolvimentos tecnológicos para o catalisador. "Porém, o nosso desafio no Brasil ― e é aí que desenvolvemos muita coisa localmente ― é o álcool. Para o álcool combustível não há lá fora tanta experiência e teremos de continuar a trabalhar, como fizemos com o flex start, que desenvolvemos aqui", analisa o executivo da Bosch.

O etanol pode ser a oportunidade nacional de vender tecnologia no exterior. "Podemos fazer o caminho inverso: ajudar a melhorar as emissões de outros países, que adotem o álcool combustível, porque já temos a tecnologia disponível para o mercado brasileiro e poderemos desenvolver novas", completa. Ele lembra que a Suécia e os Estados Unidos já usam carros flex, e nada impede as empresas de fazerem parceria com o Brasil para o desenvolvimento tecnológico desses motores.

Política pública pode ajudar

Mas tudo isso precisa de um pequeno empurrão para acontecer, e esse empurrão deve partir do próprio Brasil. "Não existe uma motivação para a indústria automobilística avançar mais [em termos tecnológicos] para atender o que é exigido [pela legislação de emissões de poluentes e de gases estufa]", afirma Alfred Szwarc, da Unica. Nesse caso, o papel da política pública para a promoção da eficiência energética é fundamental, diz ele. Trata-se de um tema ainda pouco trabalhado no Brasil, segundo o consultor. "Na Europa, há desde políticas focadas no sucateamento de veículos, de forma a aumentar as vendas dos novos, até a desoneração fiscal para veículos que são mais econômicos no consumo de combustível", destaca. O Brasil também precisa estimular a formação de engenheiros e ampliar o número de centros de pesquisa com foco em engenharia automotiva que sejam equipados com laboratórios que tenham estrutura e fôlego para trabalhar junto com as empresas, defende o consultor.

O consumidor

Além disso, as empresas precisam lidar com a questão mercadológica e, nesse sentido, o mercado brasileiro não é estimulante para o desenvolvimento de tecnologias sofisticadas para motores, pois o volume maior de vendas está na faixa dos carros populares. "Nosso consumidor é menos exigente em relação à tecnologia do veículo. Ainda que gaste muito com um rádio sofisticado, por exemplo, não vai pagar a mais para ter um veículo com mais itens de segurança", analisa Szwarc. "Hoje a gente desenvolve tecnologia aqui, e o flexfuel é exemplo disso. Mas por questão estratégica de volume, de mercado, a FPT produz determinados tipos de motores na Europa, na Argentina, etc. A empresa tem essa flexibilidade, e busca o que for mais viável", afirma Luiz Rachid, da Fiat Powertrain.


Fonte: Inovação Unicamp

Sexta-feira, Outubro 23, 2009

Sugar cane-based ethanol among the cheapest and easiest ways to reduce greenhouse gas emissions.



While Brazil is the world´s largest producer of cane-based ethanol, the US is the leading ethanol maker. However, its fuel is made from corn whose energy output is roughly equal to that used to produce it. The Brazilian study looked at the future production of cane over pastures or as a replacement for other crops - not over native forests - and found that ethanol is considerably more efficient than corn. Adoption of new cane plant varieties and processes could even increase its efficiency further.

"As ethanol is already competitive with gasoline at current oil prices, the additional cost (in adopting ethanol) is zero," said Isaias Macedo, from the Interdisciplinary Center of Energy Planning at the University of Campinas, one of the study´s authors. "And the possibility of producing ethanol in several countries makes it especially attractive," Macedo added.

Recycling of cane by-products cuts emissions still further

Ethanol´s gradual replacement of gasoline since the introduction of flex-fuel cars in early 2003 and the blending of 20 to 25% of ethanol in all gasoline sold in Brazil, combined with the co-generation of energy through the burning of the bagasse by-product in thermoelectric plants, has slashed greenhouse gas emissions. In 2006 alone, emissions by the transport and energy sectors fell 22% of what they would be if the country´s cars were burning gasoline, according to the study.

Still, Brazil remains one of the top emitters of greenhouse gases due to destruction of its massive Amazon rain forest. Considering Brazil´s total emissions unrelated to deforestation, ethanol helped reduce overall emissions by 10% that same year, according to the study which also involved researchers at the University of Sao Paulo.

Brazil believes sugar cane is the way forward

Brazil is seeking to play a leading role in talks in Copenhagen in December aimed at agreeing a new climate treaty to replace the Kyoto Protocol when it expires in 2012 and the Brazilian ethanol industry does not want Brazil´s poor ranking for total emissions to tarnish its environmental credentials. It has been fighting to show the world how cane is the most energy-efficient raw material for ethanol and has even received praise from environmental campaigner, Al Gore.

Brazil has a natural advantage in ethanol production. It has a vast unused or little-used land area that can be converted to agricultural production and its tropical climate is well suited for sugarcane production. The Sugarcane Technological Centre is leading research into sugarcane and ethanol in Brazil and is responsible for over 80% of the research and development activities in this area. Brazil has made substantial investments in research to improve sugarcane varieties in recent decades, having produced varieties that are more resistant to drought and pests, along with higher yields and higher sugar content. During the last 30 years, sugarcane yields have increased three-fold.

According to Brazilian sources, sugarcane planted acreage (all uses) is expected to increase to over 25 million acres by 2012/13. The number of sugar ethanol plants are expected to increase from 325 (2006/07) to 410 (2012/13), while ethanol production is expected to rise from 7 billion gallons to ten billion gallons in coming years.



Source: Renewable Energy - Spain

Cosan says sugar cane production to rise, ethanol/sugar ratio unchanged.




In Brazil, Cosan said that it will increase sugar cane production by 8 percent to 58 million tonnes of cane in 2010/11, but said that the sugar giant would maintain its 58/42 spilt between sugar production and ethanol production. The company said that ethanol prices can go no higher without evoking a backlash from consumers.



Source: Biofuels Digest - USA

Biocombustível será bom para o clima, indica simulação.




O medo de que uma economia mundial baseada em biocombustíveis seja um tiro pela culatra no combate ao aquecimento global não tem muito fundamento, indica um novo estudo. Simulando um futuro em que os combustíveis fósseis seriam substituídos, pesquisadores concluíram que o cenário mais provável é um em que álcool e biodiesel possam mesmo ajudar a evitar emissões de gases do efeito estufa.

O novo trabalho, publicado pela revista "Science", indica que a atual política para uso da terra com biocombustíveis está no caminho certo, mas alerta que uma mudança poderia provocar, sim, efeitos indesejáveis.

Liderado por Jerry Melillo, do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole (EUA), o trabalho mostra, primeiro, um cenário pessimista. Efeitos "indiretos" da ampliação de produção de biocombustíveis seriam capazes de emitir até duas vezes mais CO2 que o uso direto de terras para plantar vegetais necessários ao produto.

Isso ocorrerá se pastagens desalojadas para a produção de cana, por exemplo, restabelecerem-se em áreas de floresta, provocando desmatamento. O uso irrefreado de fertilizantes nitrogenados também seria nocivo por produzir óxido nitroso, um gás de efeito estufa.

A relação entre agricultura e ambiente observada nos últimos dez anos, porém, aponta para um caminho diferente. Segundo os pesquisadores, a tendência é que as políticas antidesmatamento atuais, mesmo longe de ser perfeitas, consigam dar conta de frear esse problema. Biocombustíveis, nesse caso, têm vantagem inquestionável sobre petróleo, pois plantas absorvem CO2.

"Se as coisas continuarem como são hoje, vão gerar o que está no segundo caso, mais otimista", diz Angelo Gurgel, economista da USP que participou do estudo. "Mas, se a pressão por bioenergia e alimentos for grande a ponto de os governos flexibilizarem a proteção ambiental, o cenário muda."

O modelo matemático da simulação de Gurgel e colegas é possivelmente o mais completo já usado para ver o impacto dos biocombustíveis na mudança do uso de terra. Seu resultado otimista, com alguma surpresa, contrariou projeções sombrias obtidas por outros.

Esse tipo de simulação vinha sendo criticado por cientistas como José Goldemberg, também da USP, pioneiro do planejamento econômico para o álcool. "Um modelo geral para o mundo não se aplica em situações particulares, como a do Brasil", diz o cientista. Um dos problemas, explica, é que o álcool de cana brasileiro produz muito mais energia por área cultivada do que o álcool de milho americano, por exemplo.

O trabalho de Gurgel, porém, evita isso ao se esquivar do debate sobre quais vegetais são melhores. "No longo prazo, o mercado vai selecionar naturalmente aqueles que tiverem potencial", afirma.

O medo de que a valorização de terras viáveis para essas plantas as façam "empurrar" o gado para cima da floresta, diz, também não parece ter muita sustentação. Segundo Gurgel, porém, será preciso reforçar no futuro os mecanismos que, por enquanto, impedem isso.


Fonte: Folha de S. Paulo

Etanol.




A Transpetro planeja a construção de uma frota de empurradores e barcaças para o transporte de etanol na hidrovia Tietê-Paraná. Para cumprir o plano de construção da frota, que deve acontecer até o começo do ano que vem, a armadora criou a gerência de hidrovias dentro do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef).

A expectativa é de que no início de 2010 já existam, pelo menos, 20 comboios navegando na hidrovia. O plano logístico para o transporte de etanol foi apresentado, pelo consultor sênior da Transpetro, Paulo Henrique Franco Steenhagem, no 6° Seminário de Transporte e Desenvolvimento Hidroviário Interior da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval. Procurada, a Transpetro não confirma as informações, e afirma apenas que irá se pronunciar oficialmente a esse respeito logo tenha todo o planejamento alinhado internamente.



Fonte: DCI - Comércio, Indústria e Serviços

Sequenciado genoma da bactéria produtora de etanol.



Processo de fermentação

Cientistas do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, concluíram o sequenciamento genético da levedura Saccharomyces cerevisiae, conhecida como Pedra 2.

A levedura é utilizada em cerca de 30% da produção do etanol brasileiro. Enquanto a Saccharomyces cerevisiae consome o açúcar, ela se multiplica, formando outras células, ao mesmo tempo que libera gás carbônico (CO2) e o etanol, um álcool. Esse processo é conhecido como fermentação.

Guerra biológica e química

O estudo, que foi publicado na revista Genome Research do mês de outubro, abre novas perspectivas para a produção de etanol no país, de acordo com seus autores. Com o mapeamento do genoma da levedura, os pesquisadores conseguiram decifrar o mecanismo de ação do microrganismo.

Segundo um dos autores do artigo, Gonçalo Pereira, a Pedra 2 tem uma capacidade impressionante de se modificar e se adaptar às condições adversas durante o processo de fermentação.

"Essa levedura, como organismo experimental, é muita estudada. Mas pouca pesquisa foi feita em relação à produção de etanol nas condições da usina. O que acontece no processo produtivo é uma verdadeira guerra biológica e química. E esse fenômeno foi descoberto, relativamente, há pouco tempo", disse Pereira.

Trabalhos genéticos

Segundo o professor da Unicamp, essas leveduras foram selecionadas para "trabalhar" nas indústrias de cana-de-açúcar porque se adaptam com facilidade. O estudo procurou "entender como é que elas funcionavam."

"Além do sequenciamento, fizemos uma série de trabalhos genéticos e compreendemos que essa levedura tem uma capacidade enorme de competir e se reorganizar dentro da guerra biológica que ocorre durante o processo de produção de etanol", explica.

O grupo identificou diferenças em relação aos organismos dessa espécie ao estudar o genoma da levedura. Segundo Pereira, a Saccharomyces cerevisiae apresenta uma grande variabilidade e capacidade de resistir às mudanças ambientais e a outros tipos de estresse.

"Para sobreviver, essa levedura desenvolve uma capacidade impressionante de promover mudanças internas que a tornaram mais resistente a condições adversas", reforça.

Arsenal genético


O estudo aponta que a levedura desenvolveu a "competência" de ampliar o número de genes que lhe são benéficos, ao mesmo tempo em que reduz a quantidade dos que não são. Segundo Gonçalo Pereira a levedura contraria tudo o que se pode esperar de um processo de fermentação microbiológica.

"Ela reorganiza os genes de tal forma e com tal velocidade que, se ela possui um gene especialmente importante, consegue ampliá-lo várias vezes. E descobrimos que ela faz isso com os genes localizados na ponta dos cromossomos, estabelecendo uma série de variantes. Ela é capaz de se transformar completamente", disse.

Segundo o pesquisador, a pesquisa prossegue tentando entender em detalhes como esse mecanismo de transformação ocorre. Ao compreendê-lo profundamente, diz, "teremos condições de empregar a engenharia genética para manipular a levedura."

"Estamos vivendo no Brasil uma verdadeira revolução do ponto de vista tecnológico. Nosso objetivo é domesticar esse microrganismo e reprogramá-lo de forma eficiente para produzir mais etanol ou etileno, a partir da cana-de-açúcar", diz.

Fonte: Inovação Tecnológica